segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

SATURNÁLIA ROMANA

«Ave César! Io Saturnália!»
Pintura de Lawrence Alma-Tadema (1880)

ANO NOVO: VIDA NOVA!

Análises históricas apontam a Saturnália romana como raiz das comemorações de fim de ano atuais. Esses rituais envolviam um clima festivo de libertação da ordem social, de inversão das relações hierárquicas, de intensa troca de banquetes, visitas e presentes.

Janeiro é um mês propício para tratar do sentido das complexas práticas que nos acompanham nas chamadas festas de fim de ano. O Natal e a festa do réveillon são o ponto alto de um ciclo mais amplo de rituais em que a grande questão da fugacidade do tempo é tematizada.

Os nascimentos de Cristo e do Ano Novo são a face benfazeja de uma inquietação mais ampla com a continuidade da vida, que se pode considerar iniciada em fins de outubro e princípios de novembro, com o Dia das Bruxas (Halloween) e o Dia dos Mortos, passando pelo Dia de São Nicolau e pelo Dia de Reis e se estendendo até o carnaval e a consequente quaresma.

É forte o simbolismo cristão no nível mais explícito desse longo ciclo, mas a sequência se alimenta de outras fontes de significado, algumas de muito longo curso histórico, outras bem mais recentes.

São muitas as análises históricas que sublinham o enraizamento dessas comemorações nos rituais da Saturnália romana, ocupadas pelo cristianismo com a nova referência simbólica do nascimento do Deus Filho. Esses rituais eram os mais intensos do ciclo anual romano, envolvendo um clima festivo de liberação da ordem social, de inversão das relações hierárquicas, de intensa troca de banquetes, visitas e presentes.

A celebração se estendia ao longo de dezembro e antecedia imediatamente o dia do solstício de inverno (no hemisfério norte), considerado o Dies Natalis do Sol Invictus (o dia de nascimento do sol invicto), início do novo ano, em cuja homenagem se acendiam numerosas velas de cera.

Algumas das características dessa celebração ainda se encontram em nosso próprio ciclo contemporâneo, sobretudo no que toca a estrutura central de um ‘rito de passagem’. A expressão foi usada como título de uma obra clássica do sociólogo franco-alemão Arnold Van Gennep, o primeiro a descrever suas propriedades formais universais. 

Os ritos de passagem permitem às culturas coordenar as transformações da vida humana em um processo simbólico de acesso sucessivo a novos patamares de identidade – como os bem notórios rituais de puberdade. Os ritos procedem sempre em um esquema triádico: separação, suspensão e reagregação.

No modo mais habitual, um neófito é afastado de sua vida regular, colocado em vigília em lugar ermo e submetido a alimentação ou hábitos diferentes, para então retornar, renovado, investido de uma nova e melhor condição.

Interrompe-se a rotina do trabalho, alteram-se as regras habituais da convivência social, procede-se a numerosas atividades preparatórias do período de suspensão.

Em nossas festas de fim de ano, a separação não consiste num afastamento físico, mas moral. Interrompe-se a rotina do trabalho, alteram-se as regras habituais da convivência social, procede-se a numerosas atividades preparatórias do período de suspensão – inclusive enchendo os corredores dos shoppings.

E assim ocorrem as festas, suspensas num halo mágico de convivências, comensalidades, dádivas, intensificação dos contatos entre todas as redes – antes os cartões; hoje as mensagens na internet. Há comidas e bebidas cerimoniais, há roupas especiais, há gestos, canções e decorações que não devem ser vividas fora do período de suspensão.

E há finalmente a reintegração na rotina da vida cotidiana, com a leitura dos jornais do dia 1º, a relatar as peripécias da grande farra coletiva, a lembrar como as dimensões regulares da vida humana continuaram a pulsar enquanto se entoava o «Noite Feliz» ou se ouvia o último DJ no palco público do réveillon e a nos convocar para o próximo e imperdível ciclo de festas.
Fonte: ciênciahoje.uol.com.br/

CARTOON versus QUADRAS

Altas Expectativas
HenriCartoon

«ALTAS EXPECTATIVAS»

Escuta querida, tenho fundado receio
No desequilíbrio em 2013 das finanças…
Gastas que foram  todas as poupanças,
Acabou-se o nosso fundo de maneio!

Meu adorado esposo, não tenhas medo!...
Coragem na corda bamba, nada a temer,
Que os mesmos de sempre te irão comer…
As falsas expectativas estão em segredo!!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

U2 - «New Year's Day»

Poet'anarquista


DIA DE ANO NOVO 

Tudo está quieto no dia de ano novo
Um mundo em branco está em andamento
E eu quero estar com você
Estar com você noite e dia
Nada muda no dia de ano novo
No dia de ano novo
Eu vou estar com você novamente
Eu vou estar com você novamente

Sob um céu vermelho sangue
Uma multidão se reuniu em preto e branco
Braços entrelaçam os poucos escolhidos
E o jornal diz, ele diz
Diz é verdade, diz é verdade
Nós podemos abrir caminho
Partido em dois nós podemos ser um

Eu começarei novamente
Eu começarei novamente

Oh, oh. Oh, oh. Oh, oh.
Oh! E talvez o tempo está certo
Oh! Talvez essa noite
Eu vou estar com você novamente
Eu vou estar com você novamente

E então nós fomos avisados disso em ano dourado
E o ouro é a razão das guerras que nós travamos
Ainda que eu quero estar com você
Estar com você noite e dia
Nada muda

No dia de ano novo
No dia de ano novo
No dia de ano novo

U2

domingo, 30 de dezembro de 2012

CÂNTICO AOS REIS

«A Adoração dos Reis Magos»
Museu de Aveiro

OS TRÊS REIS MAGOS

Os três Reis Magos são chegados
De Oriente Sem, Cam e Jafé…
Todos três, filhos de Noé,
 Com seus presentes sagrados.

Por Jafé, o herdeiro rei Melchior
Vindo da Europa oferece ouro…
Símbolo da Realeza belo tesouro
Para um Deus Menino superior.

Da Ásia chega o rei Gaspar
Representante de Sem…
Traz o cheiro que o louro tem,
Para a Divindade bem cheirar.

Baltazar, o rei negro africano
Com Cam identifica sua casta…
Transporta mirra como oferta
E Paixão ao Jesus menino.

Eis chegados os três Reis Magos
Que vêem adorar o Bom Jesus,
Guiados por uma estrela de luz…
Assim rezam escritos antigos.

Matias José

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

DEACON BLUE - «Queen Of The New Year»

Poet'anarquista


RAINHA DO ANO NOVO

Você tão jovem
E você sabe muito
Céu nos ajude
Dos contos que você diz
Você tão velho
E inocente como o inferno
Como eu amo as suas perguntas
Você Rainha do Ano Novo

Oh, você tão jovem
E você sabe muito
E minha mente não feita
Sobre o caminho a seguir
E agora meu coração
Você sabe que essas coisas
Meu nome para você
É a Rainha do Ano Novo

Todas as estrelas no céu vão escurecer
Para as luzes sobre eu e ele
Todas as estrelas no céu estão orgulhosas
Como as luzes acesas ao sair
Agora eu estou lhe dizendo isso
Em um ano difícil
Você sabe que sua mãe
Ela me deu problemas
O que eu vou fazer
Com seu coração honesto
O campeão de amor
A rainha do Ano Novo

Todas as estrelas no céu vão escurecer
Para as luzes sobre eu e ele
Todas as estrelas no céu estão orgulhosas
Como as luzes acesas ao sair
Todas as estrelas no céu vão escurecer
Para o campeão de amor
A rainha do Ano Novo

Deacon Blue

sábado, 29 de dezembro de 2012

FELIZ ANO 2013...

Boas Entradas! 


Poet'anarquista


CANDIDO PORTINARI

O extraordinário pintor brasileiro Candido Portinari, a quem fiz referência na publicação de 29 de Dezembro de 2010, sobre «PINTURA - PORTINARI», evocando a data de nascimento do pintor a 29 de Dezembro de 1903, e inicialmente por mim identificado (através da fonte wikipédia) como Candido Torquato Portinari. Fui mais tarde esclarecido pelo seu único filho, João Candido Portinari, que me deixou a seguinte nota na caixa de comentários:- 

«PORTINARI» disse...
Muito agradeço a sua atenção com a memória de meu pai, mas peço vênia para informar que seu nome completo é "Candido Portinari", não existindo nenhum "Torquato". Todos os documentos que integram o acervo do Projeto Portinari --- Certidão de Nascimento, Identidade, Passaportes, Atestado de Óbito, entre muitos outros --- atestam este fato.
Grato,
João Candido Portinari
Fundador e Diretor-Geral do Projeto Portinari
filho único do pintor

1 de Janeiro de 2011 16:54

A homenagem de hoje a Portinari, com a publicação de alguns detalhes do grande painel «Guerra e Paz» que se encontra na sede da ONU em Nova Iorque, é também uma forma de agradecimento a seu filho,  através do «Projecto Portinari», do qual é fundador e director. Muito honrado com a sua visita a este espaço de cultura das artes, desejo um feliz ano novo para si e para os «Amigos d'Arte». Viva a pintura pela mão do pintor Candido Portinari!
Poet'anarquista
«Auto-Retrato»
Candido Portinari

«Guerra e Paz» (detalhe)
Candido Portinari

«Guerra e Paz» (detalhe)
Candido Portinari

«Guerra e Paz» (detalhe)
Candido Portinari

«Guerra e Paz» (detalhe)
Candido Portinari

«Guerra e Paz» (detalhe)
Candido Portinari

«Guerra e Paz» (detalhe)
Candido Portinari

«Guerra e Paz» (detalhe)
Candido Portinari

Feliz Ano Novo Pintura!

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

DONOVAN - «New Year's Resovolution»

Poet'anarquista

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

PAT METHENY - «New Year»

Poet'anarquista

CARTOON versus QUADRAS

Futuro Promissor
HenriCartoon

«FUTURO PROMISSOR»

Senhor «ONU» Artur Burlista da Silva…
É verdade que foi acusado de burlão
Por se ter infiltrado em Organização
E dar conferências com falsa missiva?...

Então, que pensa Vossa Excª fazer
Se a justiça o punir criminalmente…?

-Sigo carreira na política, bem evidente!...
Onde há burlões, tudo pode acontecer!!

POETA

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

DAVID ANTIGUEDAD - «New Year's Day Blues»

Poet'anarquista

CARTOON versus QUADRAS

Mensagem de Natal
HenriCartoon

«MENSAGEM DE NATAL»

Caros portugueses e portuguesas:
É comTroika Style (e cegueira minha)
Que vejo as vossas vidas mais tesas…
Nada de bom em 2013 se adivinha!

Fedelho, a situação do país está preta,
O teu Style Troika nunca me enganou
E a mensagem de natal foi grande treta...
 «Festas felizes a quem a vida se lixou??»

POETA

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

JOHN LENNON  
«Merry Christmas And Happy New Year» 
(The War Is Over)

Poet'anarquista


FELIZ NATAL E BOM ANO NOVO 
(A GUERRA ACABOU)

Feliz Natal, Yoko
Feliz Natal, John

Então é Natal
E o que você fez?
Outro ano se vai,
E um novo começa
E então é Natal
Eu espero que você se divirta.
As pessoas próximas e queridas,
Os idosos e os jovens

Um Natal muito feliz,
E um feliz Ano Novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem medo

E então é Natal
Para fracos e fortes
Para ricos e pobres
O mundo está tão errado
E então Feliz Natal
Para negros e brancos
Para amarelos e vermelhos
Vamos parar todos os conflitos

Um Natal muito feliz
E um feliz Ano Novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem medo

E então é Natal
E o que nós fizemos?
Outro ano se vai
E um novo começa
E então Feliz Natal
Nós esperamos que você se divirta
As pessoas próximas e queridas
Os idosos e os jovens

Um Natal muito feliz
E um feliz Ano Novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem medo
A guerra acaba, se você quiser
A guerra acaba, agora

Feliz Natal

John Lennon

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

TRÉGUA DE NATAL

Trégua de Natal, 25 de Dez./ 1914
Soldado Inglês e Alemão Confraternizam

«Quase um Séc. Depois...»

CONSOADA DE NATAL (A GUERRA PODE ESPERAR…)

Ouvem-se ao longe o rufar de mil tambores...
Regressam da guerra os soldados p'la consoada,
Esperam por eles mulheres sedentas d’amores
Num tempo novo onde a guerra não é esperada!

A paz reina, dizem… porque reina o Deus Menino,
E por momentos cessam o ribombar dos canhões...
Interrompem ano após ano a marcha do destino
Vendendo ao mundo um tempo gasto de ilusões.

Esta paz podre, onde parece haver alguma acalmia,
Motivo de reencontro de velhos amigos d’armas…
Deixa nos corações saudosos estranha melancolia;

Rezam p'los mortos, desejando paz às suas almas...
Orações sentidas reúnem no Natal  a velha família
E a guerra, por instantes, tem sabor a noites calmas!

Matias José

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

THE PRETTY BALANCED - «The Christmas Song»

Poet'anarquista


CANÇÃO DE NATAL

você sente minha falta Natal
todos os dias do ano eu
estou sentindo falta de natal
eu não suporto quando eu ouço
as gargalhadas jingles
é tão aconchegante saber que eu
estou ficando louco
cada vez que eu vejo neve
há azevinho, compras
visco e um beijo
porra abril sol
é só Natal eu perder

gemada e presentes e
corte da árvore e as
luzes pingentes na praça
oh, dá-los a mim
eu poderia enlouquecer
foda as margaridas
que eu quero o Natal
agora

e contar os segundos
até que o departamento de lojas
dos bonecos de neve amigáveis
oh meu coração é todo um-twitter
cachecóis e luvas
dispararam esta temporada viciante Natal
não pode me dar uma tragada
há montes de açúcar
a derreter seus problemas de distância
foda-do-sol agosto
foda Setembro e Maio

gemada e presentes e
de corte da árvore e as
luzes pingentes na praça
oh, dá-los a mim 
eu poderia enlouquecer
foda as margaridas
que eu quero o Natal 
agora

gemada e presentes e
corte da árvore e as
luzes pingentes na praça
oh, dá-los a mim
eu não quero jesus
inferno até que eu congele
só quero o Natal 
agora

The Pretty Balanced

«O GALO»... DE JOAN MIRÓ

Joan Miró foi um importante pintor e escultor catalão do movimento surrealista. Assinala-se hoje, 25 de Dezembro de 2012, mais uma passagem da data da sua morte, que ocorreu a 25 de Dezembro de 1983. Já aqui- «JOAN MIRÓ» se fez referência à vida e obra do artista, assim como aqui- «MI RÉ MIRÓ» NO FÓRUM CULTURAL», espectáculo/concerto sobre a obra de Joan Miró que esteve em cena no Fórum Cultural de Alandroal. «Auto-Retrato» e «O Galo» são as duas pinturas que se publicam em sua homenagem nesta quadra natalícia.
Poet'anarquista
«Auto-Retrato»
Joan Miró

«O Galo»
Joan Miró

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

OS DEMÓNIOS DE BOSCH

«Adoração dos Magos»
Hieronymus Bosch

Feliz Natal para todos os «Amigos d'Arte»!

CARTOON versus QUADRAS

O Presente Possível
HenriCartoon

O PRESENTE POSSÍVEL

Barbudo, e para mim não há nada?...
Uma pequena lembrança natalícia
Ou algo pra eu comer à consoada,
Seria de momento uma boa notícia…

Isto já está muito complicado amigo,
Mas deixa ver o que se pode arranjar
Para um triste país de pernas pró ar…
Achei!… aqui tens o teu pior inimigo!!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

THE CURE - «Merry Christmas Everybody»
(1989, Wembley Arena)

Poet'anarquista

CARTOON versus QUADRAS

Pai Natal a Caminho
HenriCartoon

PAI NATAL A CAMINHO

Amigo, será que me pode indicar
O caminho pra chegar a Portugal?...
Trago às costas grande carga fiscal,
Um peso bruto custoso d’aguentar!

Barbudo, não conheço essa estrada
Onde pretendes despejar o entulho,
Mas sei de uma vereda bem cagada…
Aí encontrarás um enorme tortulho!

POETA 

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(Referente ao dia 23 de Dezembro de 2012)

THE RAMONES - «Merry Christmas»
(I Don't Want to Fight Tonight)

Poet'anarquista


FELIZ NATAL (EU NÃO QUERO BRIGAR HOJE) 

Feliz natal, eu não quero brigar hoje com...

Feliz natal, eu não quero brigar hoje,
Feliz natal, eu não quero brigar hoje…
Feliz natal, eu não quero brigar hoje com você!

Onde está o Pai Natal com o seu trenó?
Diga-me, por que é sempre desse jeito?
Onde está Rudolph? Onde está Blitzen, amor?
Feliz natal, feliz feliz, feliz natal!

Todas as crianças estão em suas camas,
Fadas de açúcar estão dançando nas suas cabeças…
Briga de bolas de neve é tão excitante, amor!

Eu te amo e você me ama,
E é desse jeito que tem que ser…

Porque Natal não é o momento
De quebrar o coração um do outro!

The Ramones

sábado, 22 de dezembro de 2012

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

CARTOON versus QUADRAS

Convite à Reflexão
HenriCartoon

CONVITE À REFLEXÃO

Descontdaid seu Fedelho, descontdaid…
É o mais acedtado fazed nesta ocasião,
Comemodad o Natal e depois refletid…
Qual o motivo dessa tua pdeocupação?

Traduzindo…

Descontrair seu Fedelho, descontrair…
É o mais acertado fazer nesta ocasião,
Comemorar o Natal e depois refletir…
Qual o motivo dessa tua preocupação?

-Acabado, são as ricas pensões elevadas
Que apoquentam o meu subconsciente
Deixando-me em estado deprimente…
Custa-me baixar essas somas avultadas!

Meu filho, tal pensamento é uma tdeta!...
Não deves ouvid a voz da tua consciência
Pois a nossa defodma está mais que cedta!!!

Traduzindo…

Meu filho, tal pensamento é uma treta!...
Não deves ouvir a voz da tua consciência
Pois a nossa reforma está mais que certa!!

-Deus te ouça, mas melhor o sentido alerta
Não vá descer a pensão na tua presidência…
Pró Zé, a vida ficará cada vez mais preta!!!

POETA

TRÊS SONETOS DU BOCAGE

O poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, ou simplesmente Bocage, ou ainda usando o pseudónimo de Elmano Sadino, faleceu vítima de um aneurisma quando contava apenas 40 anos. Foi no dia 21 de Dezembro de 1805, em Lisboa, que desapareceu um dos grandes poetas do movimento literário neoclássico português. Pode consultar aqui- «ANIVERSÁRIO «DU BOCAGE», publicação que também lhe dará acesso a outras hiperligações, onde poderá ficar a saber um pouco mais sobre vida e obra deste grande poeta, nascido na cidade de Setúbal. Boas leituras! 
Poet'anarquista
«Poeta Bocage»
Desenho por Francisco Pastor

INVOCAÇÃO À NOITE

«Ó deusa, que proteges dos amantes
O destro furto, o crime deleitoso,
Abafa com teu manto pavoroso
Os importantes astros vigilantes.

Quero adoçar meus lábios anelantes
No seio de Ritália melindroso;
Estorva que os maus olhos do invejoso
Turbem d'amor os sôfregos instantes:

Tétis formosa, tal encanto inspire
Ao namorado Sol teu níveo rosto.
Que nunca de teus braços se retire!

Tarda ao menos o carro à Noite oposto,
Até que eu desfaleça, até que expire
Nas ternas ânsias, no inefável gosto.»

Bocage

CAMÕES, GRANDE CAMÕES

Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu fado ao meu quando os cotejo!
Igual causa nos fez perdendo o Tejo
Arrostar co sacrílego gigante:

Como tu, junto ao Ganges sussurrante
Da penúria cruel no horror me vejo;
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
Também carpindo estou, saudoso amante:

Lubíbrio, como tu, da sorte dura,
Meu fim demando ao Céu, pela certeza
De que só terei paz na sepultura:

Modelo meu tu és... Mas, ó tristeza!...
Se te imito nos transes da ventura,
Não te imito nos dons da natureza.

Bocage

SONHO

De suspirar em vão já fatigado,
Dando trégua a meus males eu dormia;
Eis que junto de mim sonhei que via
Da Morte o gesto lívido e mirrado:

Curva fouce no punho descarnado
Sustentava a cruel, e me dizia:
«Eu venho terminar tua agonia;
Morre, não penes mais, ó desgraçado!»

Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada,
Que armado de cruentos passadores
Aparece, e lhe diz com voz irada:

«Emprega noutro objecto teus rigores;
Que esta vida infeliz está guardada
Para vítima só de meus furores.»

Bocage

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

THE RAVEONETTES - «The Christmas Song»

Poet'anarquista


CANÇÃO DE NATAL

Todas as luzes estão se acendendo agora.
Como eu queria que nevasse agora...
Eu não quero ir pra casa agora,
Queria poder ficar.

Todas as árvores estão em exposição agora.
E está frio agora...
Eu não quero ir pra casa agora,
Queria poder ficar.

Eu queria poder te acompanhar...
Eu queria poder te acompanhar até em casa.

Todas as luzes estão se acendendo agora.
Como eu queria que nevasse agora...
Eu não quero ir pra casa agora,
Queria poder ficar.

Pai Natal está vindo para a cidade
Com segredos em suas mãos.
Pai Natal está vindo para a cidade
Com segredos em suas mãos.

The Raveonettes

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

CRAVEIRINHA versus MALANGATANA

Era o ano de 1964, mais precisamente o dia 20 de Dezembro, quando a polícia política do regime fascista de Salazar, A PIDE, prendia dezenas de cidadãos moçambicanos. Entre os presos contavam-se o poeta Craveirinha (ver aqui- «POESIA - JOSÉ CRAVEIRINHA») e o artista plástico Malangatana (ver aqui- «PINTURA - MALANGATANA»). Recordo hoje esse momento em forma de homenagem a esses dois grandes homens da cultura moçambicana. Viva a Poesia! Viva a Pintura!! Viva a Liberdade!!!
Poet’anarquista
 «O Beijo - Liberdade e Paz»
Malangatana


QUERO SER TAMBOR

Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens
Deixa-me ser tambor
Corpo e alma só tambor
Só tambor gritando na noite quente dos trópicos. 

Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero. 

Nem nada! 

Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra. 

Eu! 

Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida. 

Ó velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia. 

Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque! 

Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!

Craveirinha

MÚSICAS DO MUNDO

Nesta quadra natalícia, a publicação «Músicas do Mundo» será inteiramente preenchida com músicas alusivas ao Natal. Boas Festas para todos os Amigos d'Arte que visitam o Poet'anarquista! Bem-Hajam!!
Poet'anarquista
E a música de hoje é...

JETHRO TULL - «Another Christmas Song»

Poet'anarquista


OUTRA CANÇÃO DE NATAL 

Espero que todo mundo toque em seu próprio sino, esta manhã bem.
Espero que todos que estão ligados ao telefone de longa distância.
Homem velho, ele é uma montanha.
Homem velho, ele é uma ilha.
Velho, ele é um pé-diz
«Eu vou chamar, chamar todos os meus filhos para casa.»

Espero que todo mundo dance para seu próprio tambor esta bela manhã 
A batida da África distante ou uma cidade fabril polonesa.
Velho, ele está ligando para a sua ceia.
Chamando por seu uísque.
Apelando para seus filhos e filhas, sim
Chamando todas as crianças à sua volta.

Ouvidos afiados são sintonizados com o aquecimento dos cantores.
Névoa soprando rodando nalgum promontório, em algum lugar em sua memória.
Todo mundo está em algum lugar
Mesmo se você nunca esteve lá.
Então, tome um minuto para lembrar a parte de você
Que pode ser o velho me chamando.

Quantas guerras você está lutando lá fora, esta manhã de inverno?
Talvez é sempre tempo para mais uma música de Natal.
Velho, ele está dormindo agora.
Tenho compromissos para manter agora.
Sonhando com seus filhos e filhas e provando,
Provando que o sangue é forte.

Jethro Tull

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

CARTOON versus QUADRAS

A Melhor Prenda de Natal
HenriCartoon

«A MELHOR PRENDA DE NATAL»

-Oh! Oh! Oh!... um Feliz Natal amigo Zé,
Trago prendinhas pra contigo partilhar
E em época natalícia te poder agradar…
Diz lá então Zé… quem é amigo, quem é?

Uh! Uh! Uh!... «todo una gran mierda!»…
E eu já sem vontade alguma pra sorrir
Com as mariquices que queres repartir…
Faz falta algum dinheiro com tanta perda!

-Zé, dinheiro não consta do meu dicionário…
O Pai Natal nada pode fazer a esse respeito
E não sou certamente teu progenitor otário!

Então tenta a busca por todo o abecedário…
Verás que encontras carcanhol ou graveto,
Guito idem pilim, e chapa em numerário!!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(19 de Dezembro de 1915, nasce a cantora francesa Edith Piaf)

EDITH PIAF - «Sou le Ciel de Paris»

Poet'anarquista


SOB O CÉU DE PARIS

Sob o céu de Paris
Se evola uma canção
Ela hoje nasceu
No coração de um rapaz
Sob o céu de Paris
Caminham os apaixonados
A felicidade se constrói
Sob um céu feito para eles
Sob a ponte de Bercy
Um filósofo sentado,
Dois músicos, alguns curiosos,
e também milhares de pessoas

Sob o céu de Paris
Vão cantar até de noite
O hino de um povo apaixonado
Por sua velha cidade
Perto da Notre Dame
Por vezes se trama um drama
Sim, mas, em Paname
Tudo se arranja
Alguns raios do sol de verão,
O acordéon de um marinheiro
A esperança floresce
No céu de Paris

Sob o céu de Paris
Corre um alegre rio
Ele adormece à noite
os mendigos e os esfarrapados
Sob o céu de Paris
Os pássaros do Bom Deus
Vêm do mundo inteiro
Para conversar entre eles
E o céu de Paris
Tem seu próprio segredo
Há vinte séculos ele está apaixonado
Por nossa Ilha Saint Louis

E quando ela lhe sorri
Ele veste sua roupa azul
Quando chove em Paris
É porque ele fica infeliz
Quando fica ciumento demais
Dos milhões de amantes dela
Ele faz sobre nós ribombar
Seu trovão retumbante
Mas, o céu de Paris não fica por muito tempo cruel
Para se fazer perdoar, ele oferece um arco-íris.

Edith Piaf

TRÊS POEMAS DE O'NEILL

No dia 19 de Dezembro de 1924, nasce na cidade de Lisboa o poeta surrealista português de ascendência irlandesa, Alexandre O’Neill. Foi ele o autor do famoso lema publicitário: «Há mar e mar, há ir e voltar»... quem não se lembra?  Pode consultar aqui- «POESIA- ALEXANDRE O'NEILL» para ficar a conhecer um pouco mais da vida e obra deste grande poeta português e publicitário.
Poet’anarquista
Caricatura de Alexandre O'Neill
Por André Carrilho

AMIGO

Mal nos conhecemos 
Inaugurámos a palavra «amigo». 
«Amigo» é um sorriso 
De boca em boca, 
Um olhar bem limpo, 
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece, 
Um coração pronto a pulsar 
Na nossa mão! 

«Amigo» (recordam-se, vocês aí, 
Escrupulosos detritos?) 
«Amigo» é o contrário de inimigo! 

«Amigo» é o erro corrigido, 
Não o erro perseguido, explorado, 
É a verdade partilhada, praticada. 

«Amigo» é a solidão derrotada! 

«Amigo» é uma grande tarefa, 
Um trabalho sem fim, 
Um espaço útil, um tempo fértil, 
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa! 

Alexandre O’Neill

AOS VINDOUROS, SE OS HOUVER...

Vós, que trabalhais só duas horas 
a ver trabalhar a cibernética, 
que não deixais o átomo a desoras 
na gandaia, pois tendes uma ética; 

que do amor sabeis o ponto e a vírgula 
e vos engalfinhais livres de medo, 
sem peçários, calendários, Pílula, 
jaculatórias fora, tarde ou cedo; 

computai, computai a nossa falha 
sem perfurar demais vossa memória, 
que nós fomos pràqui uma gentalha 
a fazer passamanes com a história; 

que nós fomos (fatal necessidade!) 
quadrúmanos da vossa humanidade.

Alexandre O’Neill

A MORTE, ESSE LUGAR-COMUM

É trivial a morte e há muito se sabe 
fazer - e muito a tempo! - o trivial. 
Se não fui eu quem veio no jornal, 
foi uma tosse a menos na cidade... 

A caminho do verme, uma beldade 
— não dirias assim, Gomes Leal? — 
vai ser coberta pela mesma cal 
que tapa a mais intensa fealdade. 

Um crocitar de corvo fica bem 
neste anúncio de morte para alguém 
que não vê n'alheia sorte a própria sorte... 

Mas por que não dizer, com maior nojo, 
que um menino saiu do imenso bojo 
de sua mãe, para esperar a morte?...

Alexandre O’Neill 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

CARTOON versus QUADRAS

Passagem de Testemunho
HenriCartoon

PASSAGEM DE TESTEMUNHO

Acabado, apresento o orçamento
Foi nesta panela bem cozinhado,
Espero agora o teu consentimento
Pra que finalmente seja aprovado…?

Fedelho, o ensopado está a fedved
Passo a batata quente ao Tdibunal…
Provadei quando o caldo addefeced,
Depois de passad plo Constitucional!

Traduzindo 2ª quadra…

Fedelho, o ensopado está a ferver
Passo a batata quente ao Tribunal…
Provarei quando o caldo arrefecer,
Depois de passar plo Constitucional!

Ouçam com atenção o meu conselho,
Ou então temos o caldo entornado:
O cozinheiro é um péssimo Fedelho,
O provador, um grande mal Acabado!!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(17 de Dezembro de 2011, morre a cantora cabo-verdiana Cesária Évora) 

CESARIA ÉVORA - «Cabo Verde Terra Estimada»

Poet'anarquista

domingo, 16 de dezembro de 2012

CARTOON versus QUADRAS

'Portugal não é a Grécia'
HenriCartoon


‘PORTUGAL NÃO É A GRÉCIA’

Sabemos que a Grécia não é Portugal
E ambos merecem o mesmo respeito…
Agora só porque vos dá um certo jeito,
Dizem que a situação em nada é igual??

-Estamos numa cena assim meio surreal
Em que os Personagens já sem conserto
Resolvem a seu belo e exclusivo proveito…
Adivinha-se como vai ser o desfecho final!

POETA

SONETO DE OLAVO BILAC

Recordando mais uma vez, em data de aniversário do seu nascimento, o poeta e jornalista brasileiro Olavo Bilac (nasceu a 16 de Dezembro de 1865, no Rio de Janeiro). Poderá consultar aqui- «POESIA BRASILEIRA» sobre vida e obra de um dos mais importantes poetas do parnasianismo brasileiro, e  membro fundador da Academia Brasileira de letras. O soneto que transcrevo para comemorar esta data e homenagear o poeta, tem por título «Não és bom, nem és mau». Boa leitura introspectiva!
Poet'anarquista
«Caricatura do Poeta Olavo Bilac»
P'lo Cartunista Brasileiro Alian

NÃO ÉS BOM, NEM ÉS MAU

Não és bom, nem és mau: és triste e humano... 
Vives ansiando, em maldições e preces, 
Como se a arder no coração tivesses 
O tumulto e o clamor de um largo oceano. 

Pobre, no bem como no mal padeces; 
E rolando num vórtice insano, 
Oscilas entre a crença e o desengano, 
Entre esperanças e desinteresses. 

Capaz de horrores e de acções sublimes, 
Não ficas com as virtudes satisfeito, 
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes: 

E no perpétuo ideal que te devora, 
Residem juntamente no teu peito 
Um demónio que ruge e um Deus que chora. 

Olavo Bilac

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(16 de Dezembro de 1770, nasce o compositor alemão Ludwig Van Beethoven)

BEETHOVEN - «A Tempestade/ Sonata nº 17 para Piano»

Poet'anarquista

CARTOON versus QUADRAS

CiberPapa
HenriCartoon

«CIBERPAPA»

Mas quem foi que resolveu desactivar
Esta navegação de controlo parental?!...
Só o demónio tem poder para desligar,
Sua Santidade da tecnologia infernal!!

POETA

sábado, 15 de dezembro de 2012

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(Escolha musical da blogosfera)

CARLOS PAIÃO - «A Cegonha»

Poet'anarquista


CEGONHA

Olá cegonha, gosto de ti!
Há quanto tempo, te não via por aí!
Nem teus ninhos nos telhados,
Nem as asas pelo céu!
Olá cegonha! Que aconteceu?

Ainda me lembro de ouvir-te dizer,
Que tu de longe os bebês vinhas trazer!
Mas os homens vão crescendo,
E as cegonhas a morrer!
Ainda me lembro...não pode ser!

Adeus cegonha, tu vais voar!
E a gente sonha...é bom sonhar!
No teu destino, por nós traçado!
Leva o menino, que é pequenino, toma cuidado!

Adeus cegonha, adeus lembranças...
A gente sonha, como crianças!
Faz outro ninho, nos altos céus!
Vai de mansinho, mas pelo caminho, diz-nos adeus!

Adeus cegonha, tu vais voar!
E a gente sonha... é bom sonhar!
No teu destino, por nós traçado...
Leva o menino, que é pequenino, toma cuidado!
Leva o menino... mas tem cuidado!

Carlos Paião