quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

THE STONE ROSES - «Love Spreads»

Poet'anarquista

O AMOR SE ESPALHA

O amor se espalha em seus braços, espera lá pelos pregos
Eu te perdoo garoto, eu irei prevalecer
Demais pra tomar, alguma cruz pra carregar
Eu estou me escondendo nas árvores com um piquenique, ela está logo ali.

Yeah,yeah,yeah
Yeah,yeah,yeah

Ela não gritou, ela não fez nenhum som
Eu te perdoo garoto, mas não deixe a cidade
Pele negra e fria, nua na rua
Flash na iluminação, eles a machucaram novamente

Deixe-me pô-lo na imagem, deixe-me mostrar o que quis dizer
O Messias é minha irmã, não é nenhum rei, ela é minha rainha
Eu tive um sonho, eu vi a luz
Não o ponha pra fora, diga que ela está bem, sim,ela é minha irmã

Ela não gritou, ela não fez nenhum som
Eu te perdoo garoto, mas não deixe a cidade
Pele negra e fria, nua na rua
Flash na iluminação, eles a machucaram novamente
Oh, oh, ooh
Yeah, yeah, yeah, yeah

Deixe-me pô-lo na imagem, deixe-me mostrar o que quis dizer
O Messias é minha irmã, não é nenhum rei, ela é minha rainha
Eu tive um sonho, eu vi a luz
Não o ponha pra fora, diga que ela está bem, sim, ela é minha irmã

The Stone Roses
Banda Britânica

OUTROS CONTOS

«Cinco Escritos Morais», por Umberto Eco.

«Cinco Escritos Morais»
Cristo/ JPGalhardas

1234- «CINCO ESCRITOS MORAIS»

[Pequeno Excerto/ “Quando o outro entra em cena”]

Procure… para o bem da discussão e do conforto em que acredita, aceitar, mesmo que por um só instante, a hipótese de que Deus não exista: que o homem, por um erro desajeitado do acaso, tenha surgido na Terra entregue a sua condição de mortal e, como se não bastasse, condenado a ter consciência disso e que seja, portanto, imperfeitíssimo entre os animais. […]

Esse homem, para encontrar coragem para esperar a morte, tornou-se forçosamente um animal religioso, aspirando construir narrativas capazes de fornecer-lhe uma explicação e um modelo, uma imagem exemplar. E entre tantas que consegue imaginar – algumas fulgurantes, outras terríveis, outras ainda pateticamente consoladoras – chegando à plenitude dos tempos, tem, num momento determinado, a força religiosa, moral e poética de conceber o modelo do Cristo, do amor universal, do perdão aos inimigos, da vida ofertada em holocausto pela salvação do outro.

Se fosse um viajante proveniente de galáxias distantes e visse-me diante de uma espécie que soube propor-se tal modelo, admiraria, subjugado, tanta energia teogónica e julgaria redimida esta espécie miserável e infame, que tantos horrores cometeu, apenas pelo fato de que conseguiu desejar e acreditar que tal seja a verdade. Abandone agora também a hipótese e deixe-a para os outros: mas admita que, se Cristo fosse realmente apenas o sujeito de um conto, o fato de que esse conto tenha sido imaginado e desejado por bípedes implumes que sabem apenas que não sabem, seria tão milagroso (milagrosamente misterioso) quanto o fato de que o filho de um Deus real tenha realmente encarnado. 

Este mistério natural e terreno não cessaria de perturbar e adoçar o coração de quem não crê.

Umberto Eco

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(Como o Melhor Vinho do Porto)

SANTANA - «Samba Pa Ti»

Poet'anarquista

Carlos Santana
Mago da Guitarra
Multi-Instrumentista e Compositor Mexicano 
(Foto: Woodstock 1969)

OUTROS CONTOS

«Poema», por André Breton.

«Poema»
André Breton

1233- «POEMA»

1

Tenho na minha frente a fada de sal
cuja túnica recamada de cordeiros
desce até ao mar
cujo véu pregueado
de queda em queda ilumina toda a montanha.

Ela brilha ao sol como um lustro de água iridescente
e os pequenos oleiros da noite serviram-se das suas
unhas onde a lua não se reflecte
para moldar o barro do serviço de café da beladona.

O tempo enrodilha-se miraculosamente detrás dos seus
sapatos de estrelas de neve
ao longo dum rasto perdido nas carícias
de dois arminhos.

Os perigos anteriores foram ricamente repartidos
e mal extintos os carvões no abrunheiro bravo das sebes
pela serpente coral que sem custo passa
por um delgado
filete de sangue seco
na lareira profunda
sempre e sempre esplendidamente negra
Esta lareira onde aprendi a ver
e sobre a qual dança sem cessar
o crepe das costas das primaveras
Aquele que é necessário lançar muito alto para dourar
a mulher em cujos cabelos encontro
o sabor que perdera
O crepe mágico o sinete voador

do amor que é nosso.

2

O marquês de Sade retornou ao interior do vulcão
em erupção
de onde tinha vindo
com as suas belas mãos de novo franjadas
os seus olhos de rapariga
e à superfície esta satisfação dum salve-se quem puder
que não foi senão dele
mas do salão fosforescente das luzes viscerais
não cessou de lançar as ordens misteriosas
abrindo uma brecha na noite moral

É por esta brecha que eu vejo
as grandes sombras estralejantes a velha crosta escavada
desfazerem-se
para me deixarem amar-te
como o primeiro homem amou a primeira mulher
em liberdade inteira
essa liberdade
pela qual o fogo se fez homem
pela qual o divino marquês desafiou os séculos as suas
grandes árvores distraídas
os acrobatas sinistros
presos ao fio da Virgem do desejo.

André Breton

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

SUPERTRAMP - «Ain't Nobody But Me»

Poet'anarquista

NINGUÉM EXCEPTO EU

Deixe-me contar uma história que fará uma mudança,
Deixe-me contar a você quando eu estiver fora de alcance
É sobre um homem cruel e amargo
Então prometa não fazer cena,
E o céu que ajude quem você ama,
Não há carência de estrelas lá em cima

Bem, você pode correr, você sabe que ele te achará
Isto não importa agora, apenas olhe nas suas costas
Você foi avisada, sabia o resultado
Você entendeu errado, e isto significa guerra
Então por que você tem que me tratar mal?
Sua explicação não é suficiente

Ninguém excepto eu
Vai mentir por você
Vai morrer por você
Nenhum peixe no mar
Vai suspirar por você
Vai tentar por você
Vai mentir por você
Vai morrer por você

Veja, eu tenho disposição mental
Às vezes sou amargo, às vezes sou viciante
Eu sou Dr. Jekyll, eu sou Mr. Hyde
Então se quer ficar viva
Apenas me dê o que tem que me dar
E assim, talvez, a deixarei viver

Ninguém excepto eu
Vai mentir por você
Vai morrer por você
Nenhum peixe no mar
Vai suspirar por você
Vai tentar por você
Vai mentir por você
Vai morrer por você
Vai suspirar por você
Vai tentar por você
Vai mentir por você
Vai morrer por você

Corra agora querida, pare seu choro
Oh sim! Sei que estive mentindo
Corra agora querida, pare seu choro
Oh sim! Sei que estive mentindo
Você não quer se apressar - agora querida, pare seu choro
Oh sim! Sei que estive mentindo
Você não quer se apressar - agora querida, pare seu choro
Oh sim! Sei que estive mentindo
Você não quer se apressar - agora querida, pare seu choro

Ahh!

Supertramp
Banda Britânica

OUTROS CONTOS

«Sei que pareço um Ladrão», por Manuel do Giro.

«Sei que pareço um Ladrão»
António Aleixo/ Desenho de Nuno Rufino

Homenagem ao poeta António Aleixo... faria hoje 120 anos.

MOTE

Sei que pareço um ladrão...
Mas há muitos que eu conheço
Que não parecendo o que são,
São aquilo que eu pareço.

António Aleixo

 1232- «SEI QUE PAREÇO UM LADRÃO»

Essa coisa do parecer
Tem muito que se lhe diga,
Haver quem à primeira consiga
Acertar no que está a ver.
P’lo aspecto não podes saber
Se é pessoa de bem, ou não,
O que vai dentro d’um coração
Só cada qual poderá revelar…
Diz o poeta a desabafar:
«Sei que pareço um ladrão!»

Vistosos surgem emproados
Com o sentido à espreita,
Sem levantar a menor suspeita
São os mais conceituados.
Andam assim disfarçados
Os gatunos que desconheço,
Tudo roubam desde o começo
Mas ninguém por isso dá…
Tu não acreditas que os há,
«Mas há muitos que eu conheço!»

Passam por grandes senhores
Dentro de suas indumentárias...
Iludem-nos com técnicas várias
Esses intocáveis estupores!
Muito sabidos como actores
Na arte de representação,
Bem estudada a encenação
Ninguém deles mais desconfia…
Disse Aleixo, que os conhecia:
«Que não parecendo o que são…»

Julgar os outros p'la aparência
Não é de todo acertado…
Anda meio mundo enganado,
Isto não é nenhuma ciência!
Trajados com conveniência
Enganam por qualquer preço,
Os larápios trocam d’adereço
E nunca se descobre a verdade…
Outros que roubam à vontade
«São aquilo que eu pareço!»

Manuel do Giro

PINTURA/ BALTHUS

O pintor de origem polaca Balthasar Klossowski, de pseudónimo Balthus, nasceu em Paris, França, a 29 de Fevereiro de 1908. Foi um artista que sempre rejeitou todas as convenções do mundo da arte, insistindo na tese que as suas pinturas deveriam ser observadas e não lidas. Resistiu sempre à tentação de elaborar um perfil biográfico. Balthasar Klossowski veio a falecer em Rossinière, Suiça, a 18 de Fevereiro de 2001.
Poet'anarquista
Auto-Retrato
Balthus

REGISTO BIOGRÁFICO

Balthus é o nome como é mais conhecido o Conde Balthazar Klossowski de Rola. Estava pertíssimo de completar 93 anos quando morreu na Suíça, em sua casa no povoado de Rossinière. Balthus nasceu em Paris, filho de família abastada e aristocrática, no ano de 1908.

Era a história viva do que habitualmente chamamos de “belle époque” francesa. Foi uma vida inteiramente submersa no mundo da arte, até mesmo pela convivência com outras pessoas. Pablo Picasso foi um dos seus amigos mais chegados. Conviveu também com Henry Matisse e Juan Miró. Na verdade, viveu cercado de artistas e intelectuais desde a infância.

Apesar de nascido em Paris, era de origem polonesa, filho de um historiador e uma aguarelista.  O pendor pela arte vem do berço.  

Recebeu educação esmerada mas foi um autodidacta como artista.  Aprendeu indo aos museus e igrejas e fazendo cópias, antes de assumir um estilo próprio.  Casou com uma japonesa de nome Setsuko Ideta, que o acompanhou até a morte e com isso foi misturando em sua biografia mais nomes que para nós, brasileiros, parecem complicados.  No início da adolescência, teve um gato chamado Mitsou, que desapareceu misteriosamente.  Sobre esse tema fez 40 desenhos que foram publicados. Eram desenhos inocentes, de uma quase criança, mas já apresentavam a tristeza e a solidão que caracteriza toda a obra do artista.

Depois migrou para a pintura de ninfetas, sempre buscando uma sensualidade bem explícita, um erotismo declarado mas sempre mesclado com um ambiente de solidão e tristeza.  As meninas, no frescor da juventude e da sensualidade recém-desperta, contrastam visivelmente com ambientes lúgubres, de mobílias antigas, cortinas pesadas e cores fechadas. A presença de gatos é também uma constante, significando talvez um lado inocente que o Conde Balthazar Klossowski de Rola sempre fez contracenar com o pensamento erótico, até para dar-lhe mais ênfase.

Para fortalecer mais ainda o erotismo, o artista frequentemente colocava um único ponto de luz na cena, fazendo incidir essa luz exactamente nas partes mais sensuais da criança/menina/mulher, como coxas e seios.  A intenção é simplesmente declarada e mostra um certo espírito pedófilo que incomoda.

O artista tinha também uma certa fixação por espelhos e sobre toda a fantasia do que eles representam, como passagem para um outro mundo.  Os espelhos serviam para mostrar uma mirada sobre si mesmo que ultrapassava as dimensões conhecidas e levavam a um ambiente inexistente além do campo da imaginação.  

O Conde Balthazar Klossowski de Rola, ou simplesmente Balthus, não foi um artista da perfeição. Suas pinturas pecam nas proporções e contornos, escorregam na escolha de cores apropriadas e enganam-se nas perspectivas com relativa frequência mas conseguem, apesar disso, um efeito emocional poderoso.  O despertar da sexualidade é retratado com uma mistura de inocência e provocação consciente.  Os gestos das meninas são propositados, a incidência da luz na abertura das pernas é uma atitude estudada e propositada. O resultado é forte.  

Balthus não foi um pintor muito fértil. Ao longo da vida de quase 93 anos – morreu 10 dias antes de completá-los – deixou 300 quadros concluídos. Se considerarmos uma vida útil dos 15 aos 90 anos, teremos uma média de 4 quadros por ano, o que não é muito.
Fonte: http://lucianocortopassipordentrodapintura.blogspot.com

Nu com Gato
Balthus

Composição com um Corvo
Balthus

Lucrécia e Tarquino
Balthus

O Gato no Espelho
Balthus

Teresa Sonhando
Balthus

O Gato Mediterrânico
Balthus

PINTURA, DESENHO E AGUARELA

BALTHUS

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

UB 40 - «You Haven't Called»

Poet'anarquista

YOU HAVEN’T CALLED

I've been thinking about you
And what you can do
Whispering words to me

Though we're miles apart
I feel you start
Going to work on me

I'm in a hotel room alone
Staring at the phone
I smoke another cigarette
You haven't called me yet

The night turns away
The sun sends the day
Creeping into the gloom
I've wasted the hours
Counting wallpaper flowers
Thinking you'd call me soon

I'm in a hotel room alone
Staring at the phone
I smoke another cigarette
You haven't called me yet

The night turns away
The sun sends the day
Creeping into the gloom
I've wasted the hours
Counting wallpaper flowers
Thinking you'd call me soon

I'm in a hotel room alone
Staring at the phone
I smoke another cigarette
You haven't called me yet

I'm in a hotel room alone
Staring at the phone
I smoke another cigarette
You haven't called me yet

Another hotel room alone
Staring at the phone
I haven't got a light

Maybe you'll call tonight
I've been thinking about you
And what you can do
The night turns away The sun sends the day
Creeping into the gloom

UB 40
Banda Britânica

SONETO DA FIDELIDADE

«Fidelidade», por Vinicius de Moraes.

«Fidelidade»
Soneto de Vinicius de Moraes

1231- «FIDELIDADE»

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes

GALILEO GALILEI

Biografia...

Galileo Galilei
Observando no Telescópio as Melhorias

Galileo Galilei, físico e astrónomo, nasceu na cidade de Pisa, Itália, no dia 15 de Fevereiro de 1564. Em 1574 é enviado ao Mosteiro de Santa Maria de Vallombrosa, até que, em 1581, seu pai o matriculou como estudante de medicina na Universidade de Pisa, mas depois de ter-se iniciado em matemática, astronomia e física por conta própria, abandona o curso de medicina.

Galilei é considerado um dos fundadores do método experimental e da ciência moderna. Suas principais contribuições à física dizem respeito ao movimento dos corpos e à teoria da cinemática. Passou a ser um dos pais da mecânica, parte da física que estuda os movimentos e suas causas. Em 1589, escreveu um texto sobre movimento, no qual criticava os pontos de vista de Aristóteles a respeito da queda livre e do movimento dos projécteis. Em 1592, passou a ocupar uma cátedra de matemáticas em Pádua, onde iniciou um período magnífico de sua vida científica. Ocupou-se de topografia, de diversas invenções mecânicas e arquitectura militar.

Em Julho de 1609 visitou Veneza e teve notícias da invenção da luneta, construiu sua própria luneta e a aperfeiçoou. Assim, fez as primeiras observações da lua, também observou as fases de Vénus, fenómeno que seria impossível de acontecer se a teoria do geocentrismo fosse correcta. Assim, Galileo publicou suas descobertas num pequeno texto chamado “O Mensageiro Sideral”. Estes escritos ficaram famosos e lhe valeram uma cátedra honorária em Pisa.

Em 1611 viajou para Roma, e no ano seguinte teve os seus estudos referentes às manchas solares publicados. Ali defendeu o heliocentrismo de Copérnico, e lutou, sem êxito, contra o dogmatismo e a superstição que travavam o progresso da ciência há séculos. Isto gerou a Galileo problemas com a igreja, que, no ano de 1616, decretou que as ideias de Copérnico eram falsas. O Papa obrigou Galileo a renegar as suas afirmações. Galileo assim fez e retirou-se e foi viver durante anos em Florença.

Em 1632, publicou um livro chamado “Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo – o ptolomaico e o copernicano”. Este livro foi incluído no Index (lista de livros proibidos pela igreja). Apesar de ser católico fiel, Galileo é obrigado novamente a negar suas ideias.

Galileo morre no dia 8 de janeiro de 1642, em Arcetri, perto de Florença.

Fonte: www.infoescola.com

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

THE EDEN SYMPHONY ORCHESTRA
«Whatever, Will Be, Will Be»

Poet'anarquista

SEJA O QUE FOR, O QUE SERÁ, SERÁ

Quando eu era apenas uma menina,
Perguntei a minha mãe, 'O que vou ser?
Será que vou ser bonita? Será que vou ser rica?
Aqui está o que ela me disse.

Que Será Será,
O que será, será,
O futuro não é nosso para ver.
Que Será Será,
O que será, será.

Quando eu cresci e me apaixonei,
Perguntei ao meu coração-doce, que está à frente,
Será que vamos ter dias arco-íris após dia?
Aqui está o meu coração doce-disse.

Que Será Será,
O que será, será
O futuro não é nosso para ver.
Que Será, Será,
O que será, será.

Agora eu tenho meus próprios filhos
Eles pedem a sua mãe o que vão ser

Será que vou ser bonito? Será que vou ser rico?
Digo-lhes com ternura

Que Será Será,
O que será, será;
O futuro não é nosso para ver.
Que Será Será,
O que será, será.

Que Será Será.

Doris Day
Cantora Estadunidense

DORIS DAY - «Whatever, Wil Be, Will Be»

Poet'anarquista

POEMA DO DIA

«Poema para Galileo»
Galileo Galilei

POEMA PARA GALILEO

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.

Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

António Gedeão

OUTROS CONTOS

«Nomes», por Manuel do Giro.

«Nomes»
Décima

1230- «NOMES»

Sai de cena Manuel Matias
Pela porta do fundo…
Manuel do Giro oriundo
Dos ímpares, e outros dias.
Nomes são mais valias
Que ninguém quer impedir,
Só o próprio a decidir
Como se há de chamar…
Se resolver assinar,
Outro nome pode surgir.

Manuel do Giro

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(Com dedicatória a ‘Chrysalis in Tegmine‘)

QUEEN - «Love Of My Life»

Poet'anarquista

AMOR DA MINHA VIDA

Amor da minha vida, você me magoou
Você partiu o meu coração
E agora você me deixou

Amor da minha vida, você não vê?
Traga de volta, traga de volta
Não tire isso de mim
Porque você não sabe
O que isso significa para mim

Amor da minha vida, não me deixe
Você tem roubado o meu amor
E agora me abandona

Amor da minha vida, você não vê?
Traga de volta, traga de volta
Não tire isso de mim
Porque você não sabe
O que isso significa para mim

Você se lembrará
Quando isso acabar
E tudo ficar pelo caminho
Quando eu envelhecer
Eu estarei ao seu lado
Para lembrá-la como eu ainda te amo
Eu ainda te amo

Volte rápido, volte rápido
Não tire isso de mim
Porque você não sabe
O que isso significa para mim
Amor da minha vida
Amor da minha vida
Sim

Queen 
Banda Britânica

DIA DE SÃO VALENTIM

Dia de São Valentim, em alguns países Dia dos Namorados.

São Valentim
Lenda Antiga de São Valentim

São Valentim (Roma, Itália, 14 de fevereiro de 270 d.C.). 

A antiga lenda conta que o bispo romano Valentim, após curar milagrosamente uma jovem cega enamorou-se dela platonicamente, mas preferiu que o seu amor continuasse em mistério. 

Antes de morrer teria escrito uma carta a essa jovem e entregou-a ao pai dela, na qual lhe fazia uma declaração de amor. 

No dia 14 de Fevereiro de 270 foi levado para a chamada via Flaminia, onde foi morto a pauladas e depois decapitado por ordem do imperador romano Cláudio II. 

A sepultura de Valentim foi encontrada em 346 d.C., numa capela subterrânea na via Flaminia. 

Dez séculos depois, antigos registos indicam-no como irmão de São Zenão. 

Actualmente as suas relíquias estão na Igreja de São Praxedes, num Oratório dedicado a São Zenão e Valentim. 

São Valentim é um santo reconhecido pela Igreja Católica e Igrejas Orientais que dá nome ao Dia dos Namorados em muitos países, onde celebram o Dia de São Valentim no dia da sua morte.

Poet'anarquista

OUTROS CONTOS

«A Gruta de Macau», por Manuel do Giro.

«A Gruta de Macau»
Camões na Gruta de Macau/ Metrass

1229- «A GRUTA DE MACAU»

[Lenda Poética em Homenagem a São Valentim e ao pintor português Francisco Metrass]

No desterro de Macau, (sina ingrata!)
Vítima de inimizades em Portugal,
É obrigado a abandonar esse local
E feito prisioneiro na Nau de Prata.

A gruta de Patane então abandona
(Musa inspiradora dos seus sonhos)
Na esperança de dias mais risonhos,
Quando o capitão da Nau o questiona:

- Que levais enrolado em vossa mão?
- Este tesouro, meu único pertence…
Os Lusíadas!... que a morte não vence
A Epopeia de uma grande Nação!

Triste, diz adeus à gruta que o acolhia
Quando nativa de Patane decide falar,
Indagando sobre a tristeza do seu olhar…
Era a bela Tin-Nam-Men que o conhecia!

Tin-Nam-Men, (Porta da Terra do Sul -
Ou Porta do Paraíso assim chamada)
Por Camões se encontrava apaixonada,
Essa beleza d’olhos claros, de céu azul!

Na famosa Nau com o poeta embarca
E, entre ambos, acontece caso d’amor…
Mas um naufrágio havia de trazer dor
Separados que foram por uma barca.

De braço erguido, Lusíadas na mão,
Camões salva-se nadando até terra;
Pra Tin-Nam-Men a vida se encerra
Nesse mar onde repousa a paixão.

Bela Dinamene… (assim lhe chamaste)
E a ela, em dois sonetos te referiste:
«Alma minha gentil, que te partiste...»
«Ah! Minha Dinamene! Assim deixaste».

Manuel do Giro

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

OUTROS CONTOS

«Meu Amor que te Foste sem te Ver», por Agostinho da Silva.

«Meu Amor que te Foste sem te Ver»
Poema de Agostinho Silva

1228- «MEU AMOR QUE TE FOSTE SEM TE VER»

Meu amor que te foste sem te ver
que de mim te perdeste sem te amar
quem sabe se outra vida tu vais ter
ou se tudo se perde sem voltar

ou se é dentro de mim que tem de haver
tanta força no meu imaginar
que o poeta que é Deus o vá reter
e te dê vida e faça regressar

para de novo o sonho desfazer
num contínuo surgir e retornar
ao nada que dá ser ao que é querer
ao fado que só dá para se dar

por tudo estou amor e merecer
o que venha para eu te relembrar
só adorando o nada pretender
só vogando nas águas de aceitar. 

Agostinho da Silva

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

LESLIE FEIST - «So Sorry»

Poet'anarquista

SINTO MUITO

Sinto muito, duas palavras
Sempre penso depois que você vai embora
Quando percebo que eu estava agindo errado
Tão egoísta, duas palavras que poderiam descrever
Minhas velhas ações quando perdia a paciência

Nós não precisamos dizer adeus
Nós não precisamos brigar e chorar
Oh nós, nós podíamos nos abraçar bem forte
Esta noite

Somos tão perdidos
Escravos de nossos próprios impulsos
Tememos nossas próprias emoções
Ninguém, sabe onde fica a praia
Estamos divididos por um oceano
E a única coisa que sei é
Que a resposta não é para nós
Não, a resposta não é para nós

Me desculpe, duas palavras
Que sempre penso depois, oh você foi embora
Quando percebo que eu estava agindo errado

Nós não precisamos dizer adeus
Nós não precisamos brigar e chorar
Não nós, nós podíamos nos abraçar bem forte
Esta noite...
Esta noite...
Esta noite...
Esta noite...

Leslie Feist
Cantora e Guitarrista Canadense

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

OUTROS CONTOS

«Amo-te por Sobrancelhas», por Julio Cortázar.

«Amo-te por Sobrancelhas»
Mona Lisa/ Leonardo da Vinci
(Pormenor: ausência de sobrancelhas)

1227- «AMO-TE POR SOBRANCELHAS»

Amo-te por sobrancelhas, por cabelo, debato-te em corredores
branquíssimos onde se jogam as fontes da luz,
Discuto-te a cada nome, arranco-te com delicadeza de cicatriz,
vou pondo no teu cabelo cinzas de relâmpago
e fitas que dormiam na chuva.

Não quero que tenhas uma forma, que sejas
precisamente o que vem por trás de tua mão,
porque a água, considera a água, e os leões
quando se dissolvem no açúcar da fábula,
e os gestos, essa arquitectura do nada,
acendendo as lâmpadas a meio do encontro.

Tudo amanhã é a ardósia onde te invento e desenho.
pronto a apagar-te, assim não és, nem tampouco
com esse cabelo liso, esse sorriso.

Procuro a tua súmula, o bordo da taça onde o vinho
é também a lua e o espelho,
procuro essa linha que faz tremer um homem
numa galeria de museu.

Além disso quero-te, e faz tempo e frio.

Julio Cortázar

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

FRANKIE GOES TO HOLLYWOOD
«Welcome To The Pleasuredome»

BEM-VINDO AO PRASERÓDROMO

O mundo é minha ostra...
Ha ha ha ha ha...

Os animais estão me envolvendo
A chamada na selva
A chamada na selva

Who-ha who-ha who-ha who-ha

Em Xanadu agiu como Kublai Khan

Um Prazeródromo ereto
Movendo-se, mantenha-se movendo-yeah
Movendo-se a 1 milhão de milhas por hora
Usando minha potência
Eu vendo-a por hora de uso
Eu tenho ela, então eu a vendo
Você realmente não pode contar com ela-yeah
Realmente não pode contar com ela

Estrelas penetrantes nunca param
Mesmo quando elas chegarem ao clímax
Estrelas penetrantes nunca param
Mesmo quando elas chegarem ao clímax

Lá vai a supernova
Que barbada-yeah
Lá vai a supernova
Que barbada

Estamos bem longe de casa
Bem-vindo ao Prazeródomo
No nosso caminho de casa
Indo para casa onde os amantes perambulam
Bem longe de casa
Bem-vindo ao Prazeródomo

Movendo-se
Mantenha-se movendo

Te darei diamantes no banho
Ame seu corpo mesmo quando ele estiver velho
Faça-o como se eu apenas pudesse fazê-lo
E nunca tivesse feito o que disse

Mantenha-se movendo
Tem que alcançar o clímax

Não pare
Pague por amor e vida-oh meu
Mantenha-se movendo
Seguidamente-yeah

Estrelas penetrantes nunca param
Estrelas penetrantes nunca param

Estrelas penetrantes nunca param
Mesmo quando elas chegarem ao clímax
Lá vai a supernova
Que barbada

Who-ha who-ha
Bem-vindo ao Prazeródomo

Bem-vindo... ha ha ha ha ha...

Bem longe de casa
Bem-vindo ao Prazeródomo

Frankie Goes To Hollywood
Banda Britânica

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

OUTROS CONTOS

«O Deserto», por Álvaro Lapa.

«O Deserto»
Poema de Álvaro Lapa

1226- «O DESERTO»

O deserto sem nexo, inesperado, tal como surge metaforicamente sentido 
no imponderável percurso de além-tréguas.

Sobre cadência de algum meio-dia já percorrido, já esgotado (em corridas, em percursos múltiplos), e aí se anuncia um excedente percurso a acometer e nesse percurso se revela o deserto.

É a experiência pura da terra abrasada, desassombrada, enigmática de neutra. Estranha ao caminhante. Envolve a luz, a distância e a mortalidade consumada do caminhante. A finitude, e os vários amarelos dessas horas solares. Meio-dia, ou mais uma, duas, até sete meias-horas após o meio-dia: as horas magnas da imolação desértica. Em qualquer estrada anexa a um lugar povoado, ao sul. Espírito dos lugares circunvagantes, nas 7 meias-horas do meio-dia, ao sul. Experiência que pode ser instantânea, intervalar. Basta que surja sobre, a mais que, a cadência adquirida de uma manhã esgotada.

É nesse além-tréguas, nessa sobre intimidade que o deserto consiste. 
Ir de rastos, a-té-ao-fim-do-es-pa-ço.

Álvaro Lapa

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

ROBERTA FLACK - «Killing Me Softly With Is Song»

MATANDO-ME SUAVEMENTE COM SUA CANÇÃO

Dedilhando minha dor com seus dedos
Cantando minha vida com suas palavras
Matando-me suavemente com sua canção
Matando-me suavemente com sua canção
Contando minha vida inteira com suas palavras
Matando-me suavemente com sua canção

Eu ouvi dizer que ele cantava muito bem, eu ouvi dizer que ele tinha um estilo
E então eu vim vê-lo, e ouvi-lo por um momento
E lá estava ele, este jovem menino, um estranho aos meus olhos

 Eu me senti toda vermelha de febre, com vergonha do público
Eu senti que ele encontrou minhas cartas, e leu cada uma em voz alta
Eu rezei para que ele acabasse, mas ele apenas continuou

Ele cantava como se me conhecesse, e meu profundo desespero
E então ele olhou através de mim como se eu não estivesse lá
E ele continuou cantando, cantando alto e claro

Dedilhando minha dor com seus dedos
Cantando minha vida com suas palavras
Matando-me suavemente com sua canção
Matando-me suavemente com sua canção
Contando minha vida inteira com suas palavras
Matando-me suavemente com sua canção

Roberta Flack
Cantora, Compositora e Pianista Estadunidense