sexta-feira, 6 de julho de 2018

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

ROBBIE ROBERTSON - «Sweet Fire Of Love»

Poet'anarquista

DOCE FOGO DO AMOR

(ooh hmmyeah)
(oh yeah, oh...)

Nós não quebramos o silêncio
Nós não temos medo da tempestade
Nós não movemos a terra
Nós não atiramos para o céu
E nós não pegamos o fogo
E nós não chamamos os espíritos
E nós não caímos juntos
E nós não morremos por amor

Dias correndo
Noites se escondendo
Esperando que você foi
Curando dentro de mim

Respirando no doce fogo do amor
Eu não tenho medo de mais nada
Doce, doce fogo eu não estou sozinho
Respirando no doce fogo do amor
Eu não sou mais o mesmo
Doce, doce fogo, o doce fogo do amor

O doce fogo do amor

Não temos cruzado novas águas
Não fizemos um novo sangue
Não construímos novas pontes
Não seguramos a inundação

Quebrando ídolos pela estrada
Eles não caíram pelo lado da lei
Aqui vem ela, brilhando como uma luz
Aqui vem ela, salvando na noite

Dias correndo
Noites se escondendo
Esperando que você foi
Curando dentro de mim

Respirando no doce fogo do amor
Eu não tenho medo de mais nada
Doce, doce fogo, eu não estou sozinho
Respirando no doce fogo do amor
Eu não sou mais o mesmo
Doce, doce fogo, o doce fogo do amor

Fogo do amor
Doce fogo do amor

Não brilhamos como prata
Não ostentamos a cruz
Não descemos o martelo
Não batemos na bateria
Nós não?

Dias correndo
Aqui vem ela, brilhando como uma luz
Noites se escondendo
Aqui vem ela, salvando na noite
Esperando que você foi
Eu estou desistindo do fantasma
Curando dentro de mim
Eu estou desistindo do fantasma

Respirando no doce fogo do amor
Eu não tenho medo de mais nada
Doce, doce fogo, eu não estou sozinho
Respirando no doce fogo do amor
Eu não sou mais o mesmo
Doce, doce fogo, o doce fogo do amor

Doce fogo do amor
Fogo do amor
Amor, amor
Doce fogo do amor
Fogo, sim

Hey, hey alma
hey, hey, amor
hey hey
hey, hey amor

Robbie Robertson
Compositor, Cantor e Guitarrista Canadense

OUTROS CONTOS

«O Casamento da Emília», por Monteiro Lobato.

«O Casamento da Emília»
Casamento na Roça/ Cândido Portinari

1166- «O CASAMENTO DA EMÍLIA»

Durou uma semana o noivado de Emília. Todas as tardes, trazido à força por Pedrinho, aparecia o Marquês de Rabicó para visitar a noiva, e tinha de ficar meia hora na sala, contando casos e dizendo palavras de amor.

Mas apesar de noivo o Rabicó não perdia os seus instintos. Logo que entrava punha-se a farejar a sala, na sua eterna preocupação de descobrir o que comer. Além disso, não prestava a menor atenção à conversa. Não havia nascido para aquelas cerimônias.

Uma tarde, Pedrinho zangou-se e resolveu substituí-lo por um representante.

– Rabicó não vale a pena – disse ele aborrecido. – Não sabe brincar, não se comporta. O melhor é isto, querem ver? – e saiu.

Foi ao quintal e trouxe um vidro vazio de óleo de rícino que andava jogado por lá.

– Esta aqui. De agora em diante o noivo será representado por este vidro azul, e o tal Marquês de Rabicó vai passear – concluiu pregando um pontapé no noivo.

Rabicó raspou-se gemendo três coins , e desde esse dia, enquanto fossava a terra no pomar atrás da tal minhoca de anel na barriga, quem noivava por ele, de cartola na cabeça, era o senhor Vidro Azul.

Emília comportava-se muito bem embora de vez em quando viesse com impertinências.

– Eu já disse a Narizinho: caso, mas com uma condição.

– Eu sei qual é! – adivinhou o senhor Vidro Azul. – Não quer morar na casa do Marquês, com certeza porque não se dá bem com o futuro sogro, os Visconde de Sabugosa.

– Isso não! Até gosto muito do senhor Visconde. O que não quero é sair daqui. Estou muito acostumada.

– O senhor Vidro Azul coçou o gargalo.

– Sim, mas…

– Não tem mas, nem meio mas! Quem manda neste casamento sou eu. O Marquês fica por lá e eu fico por cá – declarou Emília, toda espevitadinha e de nariz torcido.

O representante do noivo suspirou.

– Que pena! O Senhor Marquês já mandou construir um castelo tão bonito, de ouro e marfim, com um grande lago na frente…

Emília deu uma risada.

– Eu conheço os lagos do Marquês! São como aquele célebre “lago azul” que certa vez prometeu à Libelinha lá do Reino das Abelhas.

O senhor Vidro Azul atrapalhou-se. Viu que

Emília não era nada tola e não se deixava enganar facilmente. Procurou remendar.

– Sim, um lago. Não digo um grande lago, mas um pequeno lago, um tanque…

– Uma lata d’água, diga logo! – completou Emília mordendo os beiços.

Narizinho interveio, repreensiva.

– Você esta aqui para noivar, Emília, para dizer coisas bonitas e amáveis, e não para brigar com o representante do Marquês. Veja lá, hein?

E dirigindo ao representante:

– O Senhor Marquês não escreveu ainda uns versos para a sua amada noivinha?

– Escreveu, sim – respondeu o Vidro Azul, metendo a mão no gargalo e sacando um papelzinho. – Aqui estão eles.

E recitou:

Pirulito que bate bate,
Pirulito que já bateu,
Quem adora o Marquês é ela.
Quem adora Emília sou eu.

– Bravos! – exclamou Narizinho batendo palmas. – São lindos esses versos! O Marquês é um grande poeta!…

Emília, porém, torceu o nariz e até ficou meio danadinha.

– O verso esta todo errado! Vou casar-me com Rabicó mas não “adoro” coisa nenhuma. Tinha graça eu “adorar” um leitão!

Narizinho bateu o pé e franziu a testa.

– Emília, tenha modos! Não é assim que se trata um poeta. Você vai ser marquesa, vai viver em salões e precisa saber fingir, ouviu?

Depois, voltando-se para o representante:

– Peço-lhe mil desculpas, senhor Vidro Azul! Emília tem a mania de ser franca. Nunca viveu em sociedade e ainda não sabe mentir. Não é aqui como o nosso Visconde de Sabugosa, que fala, fala e ninguém sabe nunca o que ele realmente esta pensando, não é verdade?

O Visconde fez um gesto que tanto podia ser sim como não.

Desse modo conversavam todas as noites, longo tempo, até que vinha o chá. Chá de mentira com torradas de mentira. Depois do chá, se despediam.

Passada uma semana, a menina queixou-se a Dona Benta:

– Este noivado esta me acabando com a vida, vovó. Todas as noites, tenho de fazer sala para os noivos. Como isto cansa!…

– Mas que é que esta faltando para o casamento, menina?

– Os doces, vovó…

– Já sei. Já sei. Pois tome lá estes níqueis e mande vir os doces.

Como era justamente aquilo que Narizinho queria, lá se foi aos pinotes, com os níqueis cantando na mão.

Chegou afinal o grande dia e vieram os grandes doces: seis cocadas, seis pé-de-moleque e uma rapadura, doce mais que suficiente para uma festa em quase todos os convidados ia comer de mentira.

Pedrinho armou a mesa da festa debaixo de uma laranjeira do pomar e botou em redor todos os convivas.

Lá estavam Dona Benta, Tia Nastácia e vários conhecidos e parentes, todos representados por pedras, tijolos e pedaços de pau. O inspetor de quarteirão, um velho amigo de Dona Benta que às vezes aparecia pelo Sítio do Picapau Amarelo, era figurado por um toco de pau com uma dentadura de casca de laranja na boca.

Chegou a hora. Vieram vindo os noivos. Emília, de vestido branco e véu; Rabicó, de cartola e faixa de seda em torno do pescoço. Vinha muito sério, mas assim que se aproximou da mesa e sentiu o cheiro das cocadas, ficou de água na boca, assanhadíssimo. Não viu mais nada.

Logo depois veio o padre e casou-os. Narizinho abraçou Emília e chorou lágrima de verdade, dando-lhe muitos conselhos. Depois, como a boneca não tivesse dedos, enfiou-lhe no braço um anelzinho seu. Pedrinho fez o mesmo com o Marquês; enfiou-lhe no braço uma aliança de laranja, que Rabicó por duas vezes tentou comer.

Os outros animais do Sítio, as cabras, as galinhas e os porcos, também assistiram à festa, mas de longe. Olhavam, olhavam, sem compreenderem coisa nenhuma.

Terminada a festa. Narizinho disse:

– E agora, Pedrinho?

– Agora – respondeu ele – só falta a viagem de núpcias.

Mas a menina estava cansada e não concordou. Propôs outra coisa. Puseram-se a discutir e esqueceram de tomar conta da mesa de doces. Rabicó aproveitou a ocasião. Foi se chegando para perto das cocadas e de repente – nhoc! Deu um bote na mais bonita.

– Acuda os doces, Pedrinho! – berrou a menina.

Pedrinho virou-se e, vendo a feia ação do pirata, correu para cima dele, furioso. Agarrou o inspetor de quarteirão e arrumou uma valente inspetorada no lombo do porquinho…

– Cachorro! Ladrão! Marquês duma figa!…

Rabicó deu um berro espremido e disparou pelo campo, mas sem largar a cocada.

Como era de prever, não podia dar bom resultado aquele casamento. O génios não se combinavam e, além disso, a boneca não podia consolar-se do logro que levara.

Narizinho ainda tentou convencê-la de que Rabicó era realmente príncipe e Pedrinho só dissera aquilo porque estava danado. Não houve meio. Quando Emília desconfiava, era toda a vida. E desse modo ficou casada com Rabicó, mas dele separada para sempre.

– Esta aí o que você fez! – costumava dizer em voz queixosa. – Casou-me com um príncipe de mentira e agora, esta aí, esta aí…

Narizinho dava-lhe esperanças.

– Tudo se arruma. Um dia, ele morre e eu caso você com o Visconde ou outro qualquer.

Monteiro Lobato

OUTROS CONTOS

«Princesa», conto poético por Manuel Matias.

«Princesa»
Florbela Espanca

1165- «PRINCESA»

Olhai a linda Princesa
Contemplando o mar…
Soneto do verbo amar
Escrito com delicadeza!
A chama estava acesa
E só ela por isso deu,
O amor então morreu
Na meia-praia sozinho…
Escreveu com carinho,
Mas ninguém a entendeu.

Manuel Matias

quinta-feira, 5 de julho de 2018

OUTROS CONTOS

«II Parte - No Lugar Onde se Morre», conto poético por Manuel Matias.

«II Parte - No Lugar Onde se Morre»
Poema de Manuel Matias

1164- «II PARTE - NO LUGAR ONDE SE MORRE»

Ora vamos lá voltar
Ao lugar onde se morre…
Veloz o tempo corre,
Ninguém capaz de o parar.
Difícil de suportar
Uma noite sem sono,
Morre-se no Outono
Quantas vezes já morri…
Foi quando resolvi
Morrer ao abandono.

Manuel Matias

segunda-feira, 2 de julho de 2018

SÁTIRA...

Hermanos para Siempre
Sátira...

«HERMANOS PARA SIEMPRE»

- Muy triste, hermano...
Eliminado del Mundial,
El destino de Portugal
Parecido al hispano.
- Chorei muito, mano…
Não ires à fase seguinte,
Foi por conseguinte
Deveras muito tristinho…
Meu rico maninho,
Com todo o requinte!

ATEOP

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

ZIZI POSSI & CHICO BUARQUE
«Pedaço de Mim»

Poet'anarquista

PEDAÇO DE MIM

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar

Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim

Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

Zizi Possi & Chico Buarque
Dueto Brasileiro

SÁTIRA...

Triste Fado
Sátira...

«TRISTE FADO»

Triste fado chorai
Selecção de Portugal,
Acabou-se o Mundial
Aos pés do Uruguai.
Ouviu-se muito ai
No derradeiro teste,
Ao quarto La Celeste
Arrumou a questão…
Foi grande desilusão
Que ao Zé hoje deste!

POETA

quinta-feira, 28 de junho de 2018

SÁTIRA...

Buscas
Sátira...

OITAVA

[Lamento Isolado]

Às armas contra os traidores
Que venderam a pátria lusitana,
Por águas turvas esses impostores
Roubam-nos da forma mais sacana!
Estão assinalados os estupores
Que emperram a vida humana…
Descaradamente esta reinação
Vai navegando em corrupção!!

Manuel Matias

quarta-feira, 27 de junho de 2018

SÁTIRA...

Chamada anónima entre dois treinadores amigos...

Chamada Anónima
Sátira...

«CHAMADA ANÓNIMA»

- Está? Está lá?? Não fala???
Só faltava isto agora!...
Quem será a esta hora
Que do outro lado se cala?
- Isso a mim não me rala!...
Anonimamente faço saber
Que plo Uruguai vai torcer
Um português mui malino…
É Celeste desde pequenino,
Quer Portugal a perder!!

ATEOP

SÁTIRA...

O Presente
Sátira...

«O PRESENTE»

- Minha querida Melania…
Honra apertar-lhe a mão
Nesta solene ocasião,
Faz tempo que a não via!...
Sou Martelo em simpatia
Que todos querem conhecer,
Lembrei-me d’oferecer
Este presente singelo:
Brincos de Viana do Castelo!!
- Eu quero lá disso saber!?

POETA

terça-feira, 26 de junho de 2018

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

KING CRIMSON - «Heroes»

Poet'anarquista

HERÓIS

Eu, eu serei rei
E você, você será rainha
Embora nada os afaste
Nós podemos vencê-los, apenas por um dia
Nós podemos ser heróis, apenas por um dia

E você, você pode ser mau
E eu, eu vou beber o tempo todo
Porque somos amantes, e isso é um facto
Sim, somos amantes, e isso é que conta

Embora nada nos mantenha juntos
Nós poderíamos enganar o tempo
Apenas por um dia
Nós podemos ser heróis, para todo o sempre
O que você diz?

Eu, eu gostaria que você pudesse nadar
Como os golfinhos, como os golfinhos podem nadar
Embora nada, nada vai nos manter juntos
Nós podemos vencê-los, para todo o sempre
Oh, nós podemos ser heróis, apenas por um dia

Eu, eu serei rei
E você, você será rainha
Embora nada nos afaste
Nós podemos ser heróis, apenas por um dia
Nós podemos ser nós, apenas por um dia

Eu, eu me lembro (eu me lembro)
De pé, junto à parede (na parede)
E as armas, dispararam acima de nossas cabeças (sobre nossas cabeças)
E nós nos beijamos, como se nada pudesse cair (nada pudesse cair)
E a desonra, estava do outro lado
Oh nós podemos vencê-los, para todo o sempre
Então poderíamos ser heróis, apenas por um dia

Nós podemos ser heróis
Nós podemos ser heróis
Nós podemos ser heróis
Só por um dia
Nós podemos ser heróis

Nós não somos nada, e nada vai nos ajudar
Talvez estejamos mentindo
Então é melhor não ficar
Mas poderia ser mais seguro, apenas por um dia

Oh-oh-oh-ohh, oh-oh-oh-ohh, apenas por um dia

King Crimson
Banda Britânica

sexta-feira, 22 de junho de 2018

SÁTIRA...

Ela Não Quer Saber
Sátira...

«ELA NÃO QUER SABER»

- Ficas avisado desde já:
Devolves toda a criança
Aos pais em segurança,
Ou vais dormir no sofá!
- Criançada aqui não há,
Minha querida Melania…
Deus nenhum permitiria
De noite fralda cagada!
- Se a queres mudada,
Entrega as crianças de dia!!

POETA

OUTROS CONTOS

«Uma Noite em Lisboa», por Erich Maria Remarque.

«Uma Noite em Lisboa»
Romance

1162- «UMA NOITE EM LISBOA»

[Breve Excerto]

Embora estivesse em Lisboa há já uma semana, ainda não me habituara à sua iluminação exuberante. (...)

Contornámos a Praça do Comércio com o seu aspeto teatral e, passado algum tempo, chegámos a um labirinto de vielas e escadarias inclinadas. (...)

Cheirava a peixe, alho, flores, sol morto e sono. De um lado, sob a Lua nascente, o Castelo de São Jorge sobressaía na noite, e o luar descia em cascata pelos degraus. Voltei-me e olhei para o porto lá em baixo. Ali estendia-se o rio, e o rio era sinónimo de liberdade e vida; corria para o oceano, e o oceano queria dizer América. (...)

De dia Lisboa tem uma qualidade ingénua e teatral que encanta e cativa, mas à noite é uma cidade de conto de fadas, descendo em terraços iluminados até ao mar, como uma senhora de vestes festivas a ir ao encontro do seu misterioso amante. (...)

Erich Maria Remarque

OUTROS CONTOS

«No Lugar Onde se Morre», conto poético por Manuel Matias.

«No Lugar Onde se Morre»
Poema de Manuel Matias

1161- «NO LUGAR ONDE SE MORRE»

Conheço de morrermos
O lugar onde eu te vi...
Tantas vezes que lá morri,
Só nós dois é que sabemos.
A ninguém dizemos
Esse segredo de morte,
Não se brinca com a sorte
No lugar onde se morre…
O tempo que decorre,
Não há quem o suporte!

Manuel Matias

sexta-feira, 15 de junho de 2018

SÁTIRA...

Canal Único
Sátira...

«CANAL ÚNICO»

- Menina, diga-me se faz favor…
Vende TV que dê o Mundial
Sem as fuças deste anormal,
Ou tenho que ver o estupor?
- Canal único ao seu dispor
Vinte e quatro horas por dia,
O Mundial só na Academia
Do Brunho Cabeça d’Alho...
- Quando vejo esse bandalho
Sinto o mau estar da azia!

POETA

quinta-feira, 14 de junho de 2018

OUTROS CONTOS

«Apátrida», conto poético por Manuel Matias.

«Apátrida»
Manuel Matias

1161- «APÁTRIDA»

Minha pátria todo o mundo,
O mundo todo soa-me bem...
Passa a vida num segundo,
Eu não pertenço a ninguém!

Manuel Matias


quarta-feira, 13 de junho de 2018

OUTROS CONTOS

«Ele Deseja as Roupas do Paraíso», conto poético por William Buttler Yeats.

«Ele Deseja as Roupas do Paraíso»
Jardim do Éden  
Jan Brueghel the Elder e Pieter Paul Rubens

1160- «ELE DESEJA AS ROUPAS DO PARAÍSO»

Tivesse eu
as roupas bordadas do paraíso
tecidas com luz
dourada e prateada...

Tivesse eu
o azul e o escuro
e os negros panos da noite
e a luz e as metades luzes...

Eu espalharia essas roupas
sob os teus pés.
Mas, sendo pobre,
tenho apenas os meus sonhos.

Eu tenho espalhado
os meus sonhos
sob teus pés!

Por isso, pise suavemente,
afinal você está andando
sobre meus sonhos.

William Buttler Yeats

sexta-feira, 25 de maio de 2018

MÚSICAS DO MUMDO

E a música de hoje é...

THE JAM - «That's Enterteinment»

Poet'anarquista

ISSO É ENTRETENIMENTO

Um carro de policia com uma sirene barulhenta
Uma britadeira pneumática rasgando o concreto
Um bebé chorando e o uivo de um vira-lata
O barulho dos freios e as lâmpadas de um poste piscando

Isso é entretenimento

O vidro sendo esmagado e as passadas de uma bota
Um trem eléctrico e a destruição de uma cabine telefónica
Os muros pintados e o choro de um gato
Luzes se apagando e um pontapé nas bolas

Isso é entretenimento

Dias rápidos e as segundas feiras lentas
O mijo descendo com a chuva e as quartas feiras tristes
Assistir às notícias e não tomar seu chá
Um apartamento frio e a humidade das paredes

Isso é entretenimento

Acordar às 6 da manhã numa manhã fria
Abrir a janela e respirar gasolina
Uma banda amadora ensaiando num terreno próximo
Assistir televisão pensando no seus feriados

Isso é entretenimento

Acordar de um pesadelo a fumar uns cigarros
Acariciar uma garota e sentir seu perfume amanhecido
Dias quentes de verão e o asfalto preto pegajoso
Alimentar patos no parque e desejar esta longe dali

Isso é entretenimento

Dois amantes se beijam perto da meia-noite
Dois amantes sentindo falta de tranquilidade da solidão
Pegar um táxi e viajar de autocarro
Ler os grafites sobre negócios escrito nas cadeiras

Isso é entretenimento

The Jam
Banda Britânica

OUTROS CONTOS

«Ausência», conto poético por Sophia de Mello Breyner Andresen.

«Ausência»
Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen

1158- «AUSÊNCIA»

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 24 de maio de 2018

SÁTIRA...

Min 1
Sátira...

«MIN 1»

Dois objectivos traçou…
- Passar a fase de grupos… normal,
E com golo do Éder ganhar a final…?
- Mas Mister, você nem o convocou!
- Pronto… alguém já se lixou,
O treinador é sempre culpado…
- Se o Éder não foi convocado,
Como pode ele marcar o golo?
- Admito algum descontrolo…
O Éder está desconvocado!!

POETA

OUTROS CONTOS

«Estória do Ladrão e do Papagaio», por Luandino Vieira.

«Estória do Ladrão e do Papagaio»
Excerto de Luandino Vieira

1157- «ESTÓRIA DO LADRÃO E PAPAGAIO»

[Excerto]

‘Pode mesmo a gente saber, com a certeza, como é um caso começou, aonde começou, por quê, pra quê, quem? Saber mesmo o que estava se passar no coração da pessoa que faz, que procura, desfaz ou estraga as conversas, as macas?

Ou tudo que passa na vida não pode-se-lhe agarrar no princípio, quando chega nesse princípio vê afinal esse mesmo princípio era também fim doutro princípio e então, se a gente segue assim, para trás ou para frente, vê que não pode partir o fio da vida, mesmo que está podre nalgum lado, ele sempre se emenda noutro sítio, cresce, desvia, foge, avança, curva, para, esconde, aparece... e digo isto, tenho minha razão.

As pessoas falam, as gentes que estão nas conversas, que sofrem os casos e as macas contam, e logo ali, ali mesmo, nessa hora em que passa qualquer confusão, cada qual fala a sua verdade e se continuam falar e discutir, a verdade começa dar fruta, no fim é mesmo uma quinda de mentiras, que a mentira é uma hora da verdade ou o contrário mesmo. 

[...] 

O fio da vida que mostra o quê, o como das conversas, mesmo que está podre não parte. Puxando-lhe, emendando-lhe, sempre a gente encontra um princípio num sítio qualquer, mesmo que esse princípio é o fim doutro princípio. Os pensamentos, na cabeça das pessoas, têm ainda de começar em qualquer parte, qualquer dia, qualquer caso. Só o que precisa é procurar saber.’ 

José Luandino Vieira

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(Escolha musical da blogosfera)

AMÁLIA RODRIGUES - «Barco Negro»

Poet'anarquista

BARCO NEGRO

De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.

No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

Amália Rodrigues
Diva Portuguesa do Fado

terça-feira, 22 de maio de 2018

SÁTIRA...

O Pântano
Sátira...

«O PÂNTANO»

- Não entendo nadica,
Nada digo que encaixa…
Sou da estripe ralé baixa,
Cá o Bronco não abdica!
- Vou dar-te uma dica:
Continua a esbracejar,
Acabas por te enterrar
No pântano pestilento…
Apodreces bolorento,
Não tens como te salvar!!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(22 de Maio de 1813, nasce o compositor alemão Richard Wagner)

RICHARD WAGNER - «Coro Nupcial, Acto III»

Poet'anarquista

Richard Wagner
Compositor Alemão

OUTROS CONTOS

«A Colher», por Gonçalo M. Tavares.

«A Colher»
Conto de Gonçalo M. Tavares

1156- «A COLHER»

Para treinar os músculos da paciência o senhor Calvino colocava uma colher de café, pequenina, ao lado de uma pá gigante, pá utilizada habitualmente em obras de engenharia. A seguir, impunha a si próprio um objectivo inegociável: um monte de terra (cinquenta quilos de mundo) para ser transportado do ponto A para o ponto B - pontos colocados a quinze metros de distância um do outro.

A enorme pá ficava sempre no chão, parada, mas visível. E Calvino utilizava a minúscula colher de café para executar a tarefa de transportar o monte de terra de um ponto para outro, segurando-a com todos os músculos disponíveis. Com a colher pequenina cada bocado mínimo de terra era como que acariciado pela curiosidade atenta do senhor Calvino.

Paciente, cumprindo a tarefa, sem desistir ou utilizar a pá, Calvino sentia estar a aprender várias coisas grandes com uma pequenina colher.

Gonçalo M. Tavares

segunda-feira, 21 de maio de 2018

SÁTIRA...

100  é Pouco
Sátira...

«100 É POUCO»

- Deixa-me cá ver
Quantos tenho no almoço…
Só 100?... não posso,
Vai sobrar muito comer.
Sei sempre como resolver
Estas situações…
Carlos?… arranjas uns milhões??
- Claro José, é só pedir…
Estou aqui pra servir
Os amigos glutões!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

SONNY ROLLINS - «Blue Room»
Poet'anarquista

Sonny Rollins
Saxofonista de Jazz Norte-Americano

OUTROS CONTOS

«A Virgem», conto poético por Alexander Pope.

«A Virgem»
Detalhe da Virgem dos Rochedos
Leonardo da Vinci

1155- «A VIRGEM»

Feliz é o destino da
inocente vestal!
Esquecendo o mundo,
e sendo por ele esquecida.
Brilho eterno de uma
mente sem lembrança.
Toda prece é ouvida,
toda graça se alcança.

Alexander Pope

sexta-feira, 18 de maio de 2018

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

DELFINS - «Solta os Prisioneiros»

Poet'anarquista

SOLTA OS PRISIONEIROS

Em busca da verdade correm viajantes
Livres por um fio
Em busca da verdade ficam prisioneiros...
Em busca do amor dormem os amantes
Juntos por um fio
Em busca do amor ficam prisioneiros

Soltem!
Soltem!
Libertem-nos!...

 Solta os prisioneiros
Solta os prisioneiros
Por todo o mundo
Há prisioneiros
Por todo o mundo

 Soltem!
Soltem!
Libertem-nos!...

Solta os prisioneiros
Solta os prisioneiros
Por todo o mundo
Há prisioneiros
Por todo o mundo

 Soltem!
Soltem!
Libertem-nos!...

Solta os prisioneiros
Solta os prisioneiros
Por todo o mundo
Há prisioneiros
Por todo o mundo

Delfins
Banda Portuguesa

SÁTIRA...

A Lapa
Sátira...

«A LAPA»

Sou uma lapa pegajosa
Agarrada a este rochedo…
Eu cá não tenho medo,
Gosto de gente perigosa!
Quanto mais asquerosa
Tanto melhor pra mim,
Vou ter um triste fim
Preso no xelindró…
Acreditem que meto dó,
Sou um canalha ruim!!

POETA