segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

LITERATURA - CHARLES DICKENS

Charles John Huffam Dickens, de pseudónimo Boz, foi um dos mais populares romancistas ingleses da era vitoriana. Dickens, nascido a 7 de Fevereiro de 1812 e falecido a 9 de Junho de 1870, deu um grande contributo para a introdução da crítica social e literária na ficção em Inglaterra.
Poet'anarquista
Charles Dickens
Escritor Inglês
BIOGRAFIA

Charles John Huffam Dickens foi o mais popular dos romancistas da era vitoriana e contribuiu para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa. A fama dos seus romances e contos pode ser comprovada pelo facto de todos os seus livros continuarem a ser editados. Entre os seus maiores clássicos destacam-se "Oliver Twist", "A Christmas Carol" e "David Copperfield".

Dickens era filho de John Dickens e de Elizabeth Barrow. Educado pela sua mãe, tomou o gosto pelos livros. Durante três anos frequentou uma escola particular. Contudo o seu pai foi preso por dívidas e, ainda adolescente, Dickens teve que trabalhar numa fábrica que produzia graxa para sapatos.

Alguns anos depois, a situação financeira da família melhorou, graças a uma herança recebida pelo pai. Mas a sua mãe não permitiu que ele saísse logo da fábrica, o que fez com que Dickens não a perdoasse por isso. As más condições de trabalho da classe operária tornar-se-iam um dos temas recorrentes da sua obra.

Em 1827, Dickens começou a trabalhar num cartório. Apaixonado pela filha de um banqueiro, Maria Beadnell, suportou a desaprovação do romance pelos pais da moça, que acabou por se tornar indiferente a ele.

Em 1832 conseguiu um emprego como repórter no jornal "Morning Chronicle". Passou a publicar crónicas humorísticas sob o pseudónimo de Boz, reunidas mais tarde como "Esboços feitos por Boz". Com isso Dickens ganhou espaço no jornal para apresentar os capítulos de "As Aventuras do Sr. Pickwick", que estabeleceu o seu nome como escritor.

A 2 de Abril de 1836 Dickens casou-se com Catherine Hogarth., com quem teve dez filhos. Dois anos depois começou a divulgar, em folhetins semanais, "Oliver Twist" onde, pela primeira vez, apontava os males sociais da era vitoriana. O romance era ilustrado por Cruikshank. No ano de 1838, Dickens escreveu "Vida e Aventura de Nicholas Nickleby", e, depois, "Loja de Antiguidades" (1840), "Barnaby Rudge" (1841) e "Martin Chuzzlewitt" (1843/44), escrito após uma viagem aos Estados Unidos. 

Em 1843, publicou o seu mais famoso livro de Natal, "A Christmas Carol", ao qual se seguiriam outros, como "The Chimes" (1844), que escreveu durante uma viagem a Génova e "O Grilo da Lareira" (1845).

No ano de 1849, publicou um dos seus mais conhecidos romances, "David Copperfield", inspirado em grande parte, na sua própria vida. Aos poucos a sua obra tornou-se mais crítica em relação às instituições inglesas. Seguem esta linha os seus livros "Assim São Dombey e Filho" (1847), "A Casa Sombria" (1852) e "Tempos Difíceis".

Dickens separou-se da sua mulher em 1858. A causa da separação teria sido a atriz Ellen Ternan, que acompanhou o escritor até ao final dos seus dias, apesar de a união nunca ter sido reconhecida oficialmente.

Dickens escreveu ainda "História de Duas Cidades" (1859), "Grandes Esperanças" (1861) e "Nosso Amigo Comum" (1864). Nos últimos anos da sua vida iniciou o livro "O Mistério de Erwin Drood", mas morreu antes de concluí-lo.
Fonte: UOL Educação
Ilustração «A Christmas Carol»
Primeira Edição

POESIA - SEBASTIÃO DA GAMA

O poeta português Sebastião Artur Cardoso da Gama nasceu em Vila Nogueira de Azeitão, concelho de Setúbal, a 10 de Abril de 1924, e faleceu em Lisboa, vítima de tuberculose renal, no dia 7 de Fevereiro de 1952. A sua obra, com forte ligação à Serra da Arrábida onde viveu, veio a ter grande influência poética no seu percurso literário, dando origem ao primeiro livro de estreia, «Serra-Mãe».
Poet'anarquista
Sebastião da Gama
Poeta Português
BREVE BIOGRAFIA

Poeta português, natural de Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal. Concluiu o curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1947, e ainda nesse ano iniciou a sua actividade de professor, que exerceu em Lisboa, Setúbal e Estremoz. Foi colaborador das revistas Árvore e Távola Redonda. 

Sebastião da Gama ficou para a história pela sua dimensão humana, nomeadamente no convívio com os alunos, registado nas páginas do seu famoso Diário (iniciado em 1949). Literariamente, não esteve dependente de qualquer escola, afirmando-se pela sua temática (amor à natureza, ao ser humano) e pela candura muito pessoal que caracterizou os seus textos. Atingido pela tuberculose, que causaria a sua morte precoce, passou a residir no Portinho da Arrábida, com a panorâmica serra da Arrábida a alimentar o culto pela paisagem presente na sua obra. Foi, entretanto, instituído, com o seu nome, um Prémio Nacional de Poesia. 

Estreou-se com Serra Mãe, em 1945. Publicou ainda Loas a Nossa Senhora da Arrábida (1946, em colaboração com Miguel Caleiro), Cabo da Boa Esperança (1947) e Campo Aberto (1951). Após a sua morte, foram editados Pelo Sonho é que Vamos (1953), Diário (1958), Itinerário Paralelo (1967), O Segredo é Amar (1969) e Cartas I (1994).

Fonte: Astormentas

PEQUENO POEMA

Quando eu nasci, 
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama

ORAÇÃO DE TODAS AS HORAS

Agora, 
que eu já não sei andar nas trevas, 
não me roubes a Tua Mão, Senhor, 
por piedade! 
Voltar às trevas não sei, 
e sem a Tua Mão não poderei 
dar um só passo em tanta Claridade. 

Pelas Tuas feridas minhas, pelas tristezas 
de Tua Mãe, Jesus. 
não me deixes, no meio desta Luz, 
de pernas presas... 

Não me deixes ficar 
com o Caminho todo iluminado 
e eu parado e tão cansado 
como se fosse a andar ...

Sebastião da Gama

OS QUE VINHAM DA DOR

Os que vinham da Dor tinham nos olhos 
estampadas verdades crudelíssimas. 
Tudo que era difícil era fácil 
aos que vinham da Dor diretamente. 

A flor só era bela na raiz, 
o Mar só era belo nos naufrágios, 
as mãos só eram belas se enrugadas, 
aos olhos sabedores e vividos 
dos que vinham da Dor diretamente. 

Os que vinham da Dor diretamente 
eram nobres de mais pra desprezar-vos, 
Mar azul!, mãos de lírio!, lírios puros! 
Mas nos seus olhos graves só cabiam 
as verdades humanas crudelíssimas 
que traziam da Dor diretamente.

Sebastião da Gama

HISTÓRIAS DESTE DIA

Aconteceu a 7 de Fevereiro...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

PINTURA - GUSTAV KLIMT

Pintor simbolista austríaco, que se destacou no movimento «Art Nouveau», nasceu em Baumgarten, Viena de Áustria, a 14 de Julho de 1862 e  faleceu em Viena de Áustria, a 6 de Fevereiro de 1918. A sua obra inclui pintura mural, esboços e outros objectos de arte, muitos em exposição na galeria da Secessão em Viena, de que foi fundador em 1897.
Poet'anarquista
Gustav Klimt
 Pintor Austríaco
BIOGRAFIA
14/7/1862, Baumgarten, Áustria
6/2/1918, Viena, Áustria


Seduzido pela personalidade extravagante de Gustave Klimt, o cineasta Raoul Ruiz dirigiu o filme "Klimt", com John Malkovitch no papel do artista e Verónica Ferres no papel da sua modelo predilecta, Emilie Floge. O propósito do filme foi retratar a vida do artista cuja pintura sexual e exuberante simboliza o estilo art nouveau da virada do século 19 para o século 20.

Filho de uma família pobre, Gustave Klimt iniciou aos 14 anos os seus estudos artísticos na Escola de Artes e Ofícios.

Em 1880, abriu com o irmão Ernst um ateliê de painéis decorativos. Realizou os seus primeiros trabalhos no Teatro de Karlsbad e no Gurgtheater, numa época em que a arte floral começava a entrar em cena na Europa.

Klimt foi contratado para pintar a escadaria do Museu Histórico de Arte de Viena em 1891. Nessas pinturas, pôde dar uma contribuição pessoal ao estilo decorativo em voga.

No ano seguinte, com a morte do irmão, Klimt desfez-se do ateliê e inscreveu-se na Sociedade dos Artistas Vienenses. Como dissidência dessa sociedade, fundou em 1897 o grupo Secessão. O grupo editava também a revista "Ver Sacrum", para a qual Klimt realizou diversas ilustrações.

Em 1898, o Secessão realizou sua primeira mostra. Com a renda da exposição, Klimt e seu grupo construíram uma sede para o movimento, chamada de "Palácio da Secessão", com projeto de Joseph Olbrich.

Klimt deixou o Secessão em 1905 para unir-se aos pintores austríacos Egon Schiele e Oskar Kokoschka. Realizou várias viagens pela Europa e desenvolveu uma pintura muito própria - ornamental, linear e feminina.

Aclamado pela sociedade vienense, o artista pintou uma série de retratos de mulheres, entre os quais o retrato de Emilie Floger, modelo com quem teve um envolvimento. Nos seus últimos anos, dedicou-se a paisagens e cenas alegóricas, muitas delas inspiradas pelo pequeno castelo que adquiriu perto do lago Atter. Para muitos, "O Beijo", pintado entre 1907 e 1908, é a sua obra-prima.

Em 1910, participou da Bienal de Veneza e no ano seguinte recebeu o primeiro prémio na Exposição Internacional de Roma. Gustave Klimt morreu em 1918, vítima de um ataque de apoplexia.
Fonte: UOL Educação
«O Beijo»
Klimt

«A Donzela»
Klimt

«As Três Idades da Mulher»
Klimt

«A Morte»
Klimt

«Morte e Vida»
Klimt

«Malcesine, no Lago de Garda»
Klimt


«GALERIA SECESSÃO DE VIENA»

PINTURA DE GUSTAV KLIMT

REAGGAE PARTY - BOB MARLEY

Bob Marley cantor, guitarrista e compositor jamaicano, expoente máximo da sonoridade Reggae, nasceu a 6 de Fevereiro de 1945. A sua obra discográfica aborda a problemática da pobreza e opressão dos povos, tendo obtido a Medalha de Paz atribuída pela Nações Unidas, em Nova York. Eis o grande senhor da música Reaggae de todos os tempos!
Poet'anarquista
Bob Marley
Músico Jamaicano

Bob Marley And «Wailers»
Concerto no Crystal Palace
BIOGRAFIA
6 /02/1945, St. Ann, Jamaica
11 /05/1981, Miami, EUA

Robert Nesta Marley foi o responsável por levar o reggae da Jamaica para o mundo. Filho de Cedella Booker, uma jovem negra, e do capitão Norval Marley, um inglês branco de meia idade, Bob conheceu pouco o pai.

No final dos anos 1950, mudou-se com a mãe para Trench Town (ou Cidade do Esgoto), uma favela da capital, Kingston, onde cresceu junto com o seu amigo Neville O'Riley Livingston, conhecido como Bunny, com quem começou a tocar instrumentos improvisados.

O som que faziam era influenciado pelas músicas captadas das emissoras do sul dos Estados Unidos que tocavam Ray Charles, Curtis Mayfield e outros.

Nessa época, Bob conseguiu um emprego numa funilaria, mas um acidente no trabalho  fez  com que abandonasse o emprego e começar a investir na música, junto com Bunny. Foram ajudados por Joe Higgs, um cantor que ainda morava em Trench Town e dava aulas de canto. Numa dessas aulas Bob e Bunny conheceram Peter McIntosh. Com ele formariam o grupo "Wailing Wailers".

Em 1962, Bob Marley foi ouvido pelo empresário Leslie Kong que o levou a gravar algumas músicas. A primeira delas foi "Judge Not". Os "Wailing Wailers" ganhou a simpatia do percussionista rastafari Alvin Patterson, que os apresentou ao produtor Clement Dodd.

O primeiro "single" do grupo, "Simmer Down", foi lançado em 1963. Nessa ocasião, Bob recebeu uma passagem para os Estados Unidos, enviada pela sua mãe, que tinha se casado novamente e mudado para Delaware.

Antes da viagem, Bob conheceu Rita Anderson, uma cantora iniciante, com quem se casou em 10 de fevereiro de 1966. Marley passou oito meses com a mãe e retornando a Kingston mudou o nome do grupo para "The Wailers". Os Wailers criaram um novo selo, o Wail'N'Soul, que não vingou.

O grupo sobreviveu compondo para o cantor americano Johnny Nash com quem Bob viajou à Suécia em 1971, ocasião em que assinou contrato com a CBS. Em 1972, os Wailers promoveram o "single" "Reggae on Broadway" e fizeram o primeiro álbum, Catch A Fire.

No ano seguinte fizeram uma série de apresentações na Inglaterra e nos EUA. No mesmo ano o grupo lançou Burnin, que incluía novas versões de algumas das suas músicas, junto com faixas como "I Shot The Sheriff" (que se tornaria um sucesso mundial na voz de Eric Clapton).

Natty Dread, álbum lançado em 1975, tinha "No Woman, No Cry". Rastaman Vibrations, o álbum seguinte, atingiu o topo das paradas americanas. Bob decidiu dar um concerto no Parque dos Heróis Nacionais de Kingston, em 5 de Dezembro de 1976. Logo após o anúncio do show, o governo convocou eleições para o dia 20 de Dezembro. Na tarde do concerto Bob teve a sua casa invadida e foi alvejado. Mesmo ferido, subiu ao palco.

Logo depois mudou-se para Londres, onde gravou o álbum Exodus, que esteve nas paradas inglesas por 56 semanas seguidas. Em 1978 fez sucesso com Kaya e voltou à Jamaica para o "One Love Peace Concert", quando fez com que o Primeiro ministro e o líder da oposição dessem as mãos no palco. Depois foi às Nações Unidas, em Nova York, para receber a Medalha da Paz.

No fim do ano, Bob visitou a África pela primeira vez. Uma turnê pela Europa e América rendeu o segundo álbum ao vivo: Babylon by Bus. Survival foi lançado em 1979 e incluía "Zimbabwe". Em 1980, o grupo foi convidado para tocar na cerimónia de independência do Zimbábue. O disco Uprising foi lançado em 1980 e gerou uma grande turnê pela Europa e Estados Unidos. Bob fez dois shows no Madison Square Garden, mas caiu doente. Teve um câncer num membro, mas recusou-se a fazer uma cirurgia de amputação por motivos religiosos. Após vários tratamentos em diversos países, Bob Marley morreu num hospital de Miami aos 36 anos.
Fonte: UOL Educação
«LIVELY UP YOURSELF»

BOB MARLEY

HISTÓRIAS DESTE DIA

Aconteceu a 6 de Fevereiro...

POESIA - JOSÉ CRAVEIRINHA

Assinala-se hoje a data da morte do poeta moçambicano José João Craveirinha. Foi no dia 6 de Fevereiro de 2003 em Maputo que viria a falecer, tendo-lhe sido atribuído no ano de 1991 o Prémio Camões. Tornou-se o primeiro autor africano a ser distinguido com esse prémio, o mais importante da literatura portuguesa.
Poet'anarquista
José Craveirinha
Poeta Moçambicano
BREVE BIOGRAFIA

José João Craveirinha nasceu em 28 de Maio 1922 em Maputo, e faleceu no dia 6 de Fevereiro de 2003 na capital  moçambicana que o viu nascer.

Iniciou a sua carreira como jornalista no "O Brado Africano", e colaborou/trabalhou com diversos orgãos de informação em Moçambique. Teve um papel importante na vida da Associação Africana a partir dos anos 50. 

Grande parte da sua poesia ainda se mantém dispersa na imprensa, não tendo sido incluída nos livros que publicou até à data. Outra parte permanece inédita. 

Esteve preso pela Pide, de 1965 a 1969, na celebre Cela 1 com Malangatana e Rui Nogar, entre outros. 
Tem muitas obras publicadas, sendo considerado um dos grandes poetas de África e da Língua Portuguesa. 
Fonte: Astormentas

Depoimento autobiográfico, Janeiro de 1977: 

"Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto. Pela parte da minha mãe, claro. Por parte do meu pai fiquei José. 

Aonde? Na Av. do Zichacha entre o Alto Maé e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres. 

Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato. A seguir fui nascendo à medida das circunstancias impostas pelos outros. Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: o seu irmão. E a partir de cada nascimento eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique. 
A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe negra. 

Nasci ainda mais uma vez no jornal "O Brado Africano". No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noemia de Sousa. Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso. 

Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu. Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por causa da minha mãe só resignação. 

Uma luta incessante comigo próprio: Autodidacta. 

Minha grande aventura: ser pai. Depois eu casado. Mas casado quando quis. E como quis. 

Escrever poemas, o meu refúgio, o meu país também. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse país, muitas vezes altas horas da noite."
José Craveirinha


GRITO NEGRO

Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.

José Craveirinha

REZA, MARIA

Suam no trabalho as curvadas bestas
e não são bestas
são homens, Maria!

Corre-se a pontapés os cães na fome dos ossos
e não são cães
são seres humanos, Maria!

Feras matam velhos, mulheres e crianças
e não são feras, são homens
e os velhos, as mulheres e as crianças
são os nossos pais
nossas irmãs e nossos filhos, Maria!

Crias morrem á míngua de pão
vermes na rua estendem a mão a caridade
e nem crias nem vermes são
mas aleijados meninos sem casa, Maria!

Do ódio e da guerra dos homens
das mães e das filhas violadas
das crianças mortas de anemia
e de todos os que apodrecem nos calabouços
cresce no mundo o girassol da esperança

Ah! Maria
põe as mãos e reza.
Pelos homens todos
e negros de toda a parte
põe as mãos
e reza, Maria!

José Craveirinha

TERRA DE CANAÃ

Não, piloto Israelita.
Inútil procurares nos incêndios de Beirute
e nos inocentes corpos mutilados pelos estilhaços ardentes
as belas palavras do Cântico dos Cânticos.

E voa mais baixo.
Desce velozmente mais baixo no teu caça-bombardeiro.
Voa mais baixo. Desce ainda mais baixo piloto hebreu.
Desce até Eichman. Voa até ao fundo dos ascos.
Acelera até os motores e as bombas de fósforo
contigo oscularem sofregamente o chão sagrado.

Foi para este holocausto que sobreviveste
ao teu genocídio nos tempos da Nazilandia?
Achas que é esta a tua ambicionada Terra de Canaã?
Tu achas que assim ganhas a paz na Terra Prometida?"

 José Craveirinha

sábado, 5 de fevereiro de 2011

MUSEU HERMITAGE

Foi no dia 5 de Fevereiro de 1852 que foi inaugurado o Museu Hermitage de São Petersburgo, na Rússia.
Poet'anarquista
Museu Hermitage de São Petersburgo
Vista Exterior do Museu

Museu Hermitage é um museu localizado em São Petersburgo, na Rússia. É um dos maiores museus de arte do mundo e a sua vasta colecção possui itens de praticamente todas as épocas, estilos e culturas da história russa, europeia, oriental e do norte da África, e está distribuída em dez prédios, situados ao longo do rio Neva, dos quais sete constituem por si mesmos monumentos artísticos e históricos de grande importância. Neste conjunto o papel principal cabe ao Palácio de Inverno, que foi a residência oficial dos Czares quase ininterruptamente desde sua construção até a queda da monarquia russa.
Organizado ao longo de dois séculos e meio, o Hermitage possui hoje um acervo de mais de 3 milhões de peças. O museu mantém ainda um teatro, uma academia musical e projetos subsidiários em outros países. O núcleo inicial da colecção foi formado com a aquisição, pela imperatriz Catarina II, em 1764, de uma colecção de 225 pinturas flamengas e alemãs do negociante berlinense Johann Ernest Gotzkowski.
Fonte: Wikipédia
«HERMITAGE MUSEUM»
SÃO PETERSBURGO - RÚSSIA

HISTÓRIAS DESTE DIA

Aconteceu a 5 de Fevereiro...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

CUBISMO - FERNAND LÉGER

O pintor francês Jules Fernand Henri Léger nasceu em Argentan (Orne - França), a 4 de fevereiro de 1881. A sua obra notável como pintor e desenhador em torno do cubismo, deu-lhe grande projecção na sua época. Foi ainda autor das mais variadas litografias...
Poet'anarquista
Fernand Léger
Pintor Francês do Cubismo
BIOGRAFIA
Nascido na Baixa-Normandia, iniciou a sua formação artística aos catorze anos, sendo aprendiz de um arquitecto em Caen. Em 1900 rumou para Paris, onde ingressou na Escola de Artes Decorativas, após uma tentativa frustrada de ingressar na Escola das Belas-Artes.
Em 1908, e na mesma cidade, instalou-se num edifício conhecido como "Ruche" (colmeia, em português), onde conviveu com outros artistas como Jacques Lipchitz, Robert Delaunay e até Marc Chagall, tendo-se tornado um dos melhores amigos deste último.
Entre 1909 e 1910, realizou a sua primeira grande obra Nus no bosque, uma pintura onde são notáveis as aspirações impressionistas.
A partir do ano de 1911, conheceu Pablo Picasso e Georges Braque, os quais lhe transmitiram influências cubistas, nas quais se aplicou e trabalhou durante a maior parte da sua carreira artística.
Em 1914, com o início da Primeira Grande Guerra, Léger foi recrutado para as trincheiras. Após esta etapa da sua vida, a sua pintura passou a representar a sua admiração pelos objectos mecânicos, tendo especial interesse pelos tanques de guerra.
A partir de 1920, predomina na sua obra a figura humana enquadrada por elementos industriais. Ainda na segunda década do século, numa nova fase da sua vida, produz e dirige o filme O ballet mecânico.
Devido à Segunda Grande Guerra, exilou-se nos Estados Unidos da América, onde foi professor na Universidade de Yale e no Mills College, tendo voltado para França em 1945.
De volta à sua terra natal, concebeu os vitrais da Igreja do Sacré-Coeur de Audincourt e um painel para o Palácio das Nações Unidas de Nova Iorque.
Em 1945 filiou-se no Partido Comunista e a sua obra passa a focar o trabalhador e o proletariado.
Pintou, em 1954, o seu mais conhecido quadro: A grande parada.
Em 1955, ano do seu falecimento, foi homenageado com o prémio da Bienal de São Paulo.
O trabalho de Léger exerceu uma influência importante no construtivismo soviético. Os modernos posteres comerciais, e outros tipos de arte aplicada, também foram influenciados pelos seus desenhos. Nos seus últimos trabalhos, realizou uma separação entre a cor e o desenho, de tal maneira que as figuras mantêm os formulários robóticos definidos por linhas pretas.
Fonte: Wikipédia
«Os Três Músicos»
 Léger
«Adão e Eva»
 Léger
«Como Um Jovem»
 Léger
«Mulheres de Papagaio»
 Léger
«Composição Com Três Figuras»
 Léger
«Os Acrobatas» 
 Léger
«Chaves Para Mona Lisa»
 Léger
«A Passagem De Nível»
 Léger
«O Casamento»
 Léger
«Mergulhadores Sobre Um Fundo Amarelo»
 Léger
«CUBISMO»

FERNAND LÉGER

HISTÓRIAS DESTE DIA

Aconteceu a 4 de Fevereiro...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA

Durante todo o mês de Fevereiro, no espaço «Arquiz do Saber», vai estar patente ao público uma exposição de fotografia que tem por tema "Um Novo Olhar No Branco". Trata-se de um conjunto de fotografias sobre o nevão de 2004 da autoria de vários Alandroalenses, que fizeram questão de registar esses momentos pouco habituais em terras alentejanas. A não perder...
Poet'anarquista
Exposição de Fotografia
"Um Novo Olhar No Branco"


            Biblioteca Municipal de Alandroal Recebe Exposição Fotográfica                                                             “Um Novo Olhar no Branco”   

Durante todo o mês de Fevereiro quem visitar a Biblioteca Municipal de Alandroal, provisoriamente a ocupar o espaço do “Arrequiz do Saber”, no Terminal Rodoviário, poderá apreciar a exposição Fotográfica “Um Novo Olhar no Branco”. A exposição inicial (“Um Olhar no Branco”) esteve patente ao público durante a Feira do Livro de 2006. A edição de 2011 integra os anteriores trabalhos e acrescenta mais alguns, trazendo, assim, “Um Novo Olhar” à exposição.

Organizada pela Biblioteca Municipal de Alandroal, a exposição é alusiva ao nevão de Janeiro de 2004 que deixou o Alandroal coberto de branco. Esta exposição resulta da recolha de várias imagens captadas por munícipes que quiseram “congelar” esses momentos únicos nas suas máquinas fotográficas para um dia mais tarde recordar.

Até ao final do mês de Fevereiro não perca a oportunidade de revisitar, através da fotografia, um momento singular da história recente do concelho de Alandroal, o nevão de 2004, que cobriu com um manto branco todo o território do concelho. A exposição está aberta de segunda a sexta-feira, entre as 07:30 e as 19:00 horas.
Fonte: Gabinete de Imprensa da Câmara Municipal do Alandroal

DAMIÃO DE GÓIS

Damião de Góis nasceu em Alenquer a 2 de Fevereiro de 1502 e foi um grande humanista e historiador português, com relevância no período do renascimento em Portugal. Possuidor de uma enorme cultura geral, inteligência e espírito crítico, foi um marco importante na troca de conhecimentos entre Portugal e a cultura Europeia do séc. XVI.
Poet'anarquista
Damião de Góis
Historiador e Humanista

BREVE HISTORIAL
De família nobre, Damião de Góis era filho do almoxarife Rui Dias de Góis, valido do Duque de Aveiro e da sua quarta esposa Isabel Gomes de Limi, descendente de Nicolau de Limi, fidalgo flamengo que se estabeleceu em Portugal. Devido à morte do seu pai, Damião de Góis passou 10 anos da sua infância na corte de D. Manuel I como moço de câmara. Em 1523 foi colocado por D. João III como secretário da Feitoria Portuguesa de Antuérpia — também, em atenção, à sua ascendência flamenga.
Efectuou várias missões diplomáticas e comerciais na Europa entre 1528 e 1531. Em 1533 abandonou o serviço oficial do governo português e dedicou-se exclusivamente aos seus propósitos de humanista. Tornou-se amigo íntimo do humanista holandês Desiderius Eramus, com quem convive em Basileia em 1534 e que o guiou nos seus estudos assim como nos seus escritos. Estudou em Pádua entre 1534 e 1538 onde foi contemporâneo dos humanistas italianos Pietro Bembo e Lazzaro Buonamico. Pouco tempo depois fixou-se em Lovaina por um período de seis anos.
Damião de Góis foi feito prisioneiro durante a invasão francesa da Flandres mas foi libertado pela intervenção de Dom João III que o trouxe para Portugal. Em 1548 foi nomeado guarda-mor dos Arquivos Reais da Torre do Tombo, e dez anos mais tarde foi escolhido pelo cardeal D. Henrique para escrever a crónica oficial do rei D. Manuel I que foi completada em 1567.
No entanto este seu trabalho histórico desagradou a algumas famílias nobres, e em 1571 Damião de Góis caiu nas garras do Santo Ofício (Inquisição), de maneira brutal, pois foi preso, sujeito a processo e depois, em 1572, foi transferido para o Mosteiro da Batalha. Trágico fim de vida, pois abandonado pela sua família, apareceu morto, com suspeitas de assassinato, na sua casa de Alenquer, em 30 de Janeiro de 1574, sendo enterrado na igreja de Santa Maria da Várzea, da mesma vila.
As suas maiores obras em latim e em português são históricas. Incluem a Crónica do Felicíssimo Rei Dom Emanuel (quatro partes, 1566–67) e a Crónica do Príncipe Dom João (1567). Ao contrário do seu contemporâneo João de Barros, ele manteve uma posição neutra nas suas crónicas sobre o rei Dom Manuel I e do seu filho o príncipe João, depois João III de Portugal.
Fonte: Wikipédia

HISTÓRIAS DESTE DIA

Aconteceu a 2 de Fevereiro...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

21ª MEIA MARATONA DE LISBOA

Domingo, 20 de Março de 2011 pelas 10h30, participe na 21ª Meia Maratona de Lisboa com o apoio da Câmara Municipal do Alandroal.
Poet'anarquista
21ª Meia Maratona de Lisboa
Apoio Câmara Municipal Alandroal

O REGICÍDIO

No dia 1 de Fevereiro de 1908 o rei D. Carlos e o seu filho D. Luís Filipe, herdeiro ao trono de Portugal, foram assassinados em pleno Terreiro do Paço. Era o princípio do fim da monarquia, tendo pelo meio o reinado de D. Manuel II que viria a terminar a 5 de Outubro de 1910, com a implantação da República Portuguesa. Assinalamos no Poet'anarquista esse momento distante no tempo, passados que são 103 anos do Regicídio e 100 anos da Instauração da República.
Poet'anarquista
Regicídio
 O Princípio do Fim da Monarquia
REGICÍDIO
Por Miguel Sousa Pinto

O regicídio de 1908 foi um acto praticamente nunca visto na Monarquia portuguesa: o sangrento assassinato do rei D. Carlos e do herdeiro do trono, D. Luís Filipe, chocou a nação, contrariando os "brandos costumes" lusos e provocando tamanho abalo que a Coroa cairia dois anos depois.

Em retrospetiva, o regicídio é geralmente considerado como o fim efectivo do regime monárquico constitucional, sendo o golpe de 5 de Outubro de 1910 apenas a sua confirmação.

Vivia-se o dia 01 de Fevereiro de 1908. A família real acabara de desembarcar em Lisboa vindos de Vila Viçosa, vendo a sua temporada de caça interrompida por uma intentona republicana ocorrida nos últimos dias de janeiro. Após o acolhimento por vários membros do Governo, incluindo o ditador João Franco, a carruagem real, aberta, seguia pela Praça do Comércio quando se ouviu um tiro, que atravessou o pescoço do rei e o matou de imediato. O seu autor foi Manuel Buiça, professor primário expulso do Exército.

Alfredo Costa, empregado do comércio e editor de obras de escândalo, pôs entretanto um pé no estribo da carruagem e disparou sobre o rei já tombado.

A rainha, já de pé, fustiga-o com a única arma de que dispunha: um ramo de flores, gritando “Infames, Infames”. D. Luís Filipe, ferido no peito por uma bala, aproveita a distracção do momento para disparar quatro tiros sobre Alfredo Costa, mas Buiça, de longe, desfere-lhe um tiro mortal. D. Manuel , que viria pouco depois a herdar o trono, vê o seu irmão já tombado e tenta estancar-lhe o sangue com um lenço.
Depois de vários sobressaltos, nos quais também D. Manuel acabou ferido, os regicidas acabam abatidos a tiro no local.

Esta sequência dramática de acontecimentos culminou um tenso período pré-revolucionário em que organizações como a Carbonária e a maçonaria conspiravam para a imposição da República - poucos dias antes, a 28 de Janeiro, Afonso Costa, o Visconde da Ribeira Brava e mais de 90 outros golpistas terminaram detidos na sequência do falhado Golpe do Elevador da Biblioteca.

Em causa estava não apenas a República, uma luta antiga que já a 31 de Janeiro de 1891 havia provocado uma intentona no Porto. A decisão de D. Carlos de pôr fim à tradicional imparcialidade da Coroa para apoiar a ditadura de João Franco ajudou a acicatar os ânimos.

Ainda hoje estão por apurar os reais contornos da preparação do regicídio. Sabe-se que houve mais conspiradores além dos dois abatidos, já que ocorreram disparos de outros pontos da praça.

O processo aberto na ocasião acabou desaparecido após a instauração da república sem que se conheçam as suas conclusões. Dá-se apenas por aceite que José Maria Alpoim, um dos autores morais do regicídio, se associou à Carbonária num esquema de aquisição de armas e na elaboração de planos para um levantamento revolucionário, para assassinar o primeiro ministro e para matar o rei. Estes planos terão sido elaborados em Paris com a ajuda de revolucionários franceses, possivelmente anarquistas.

A Carbonária terá dado os homens para o golpe e os chamados "dissidentes" terão tratado do seu financiamento. Um dos principais “dissidentes”, o Visconde da Ribeira Brava, terá ido levantar as armas usadas no regicídio ao armeiro Gonçalo Heitor Freire, republicano e mação.

João Franco, que falhou na defesa da vida do rei que havia legitimado a sua ditadura, acaba demitido e, para apoiar o reinado do jovem D. Manuel, que confessou a sua falta de preparação para o cargo que acabara de ocupar, foi criado um governo de "Acalmação" para tentar trazer a paz ao país. A tentativa falhou e em 05 de Outubro de 1910 a revolução republicana finalmente chega a bom porto.
Fonte: Almanaque da República

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Aconteceu a 1 de Fevereiro...