sexta-feira, 27 de maio de 2011

«CONTOS DO NASCER DA TERRA»

Mia Couto
Escritor Moçambicano

XIII CONTO - «O último voo do tucano»

«Tucanos»
Pintura Brasileira

O ÚLTIMO VOO DO TUCANO

Ela estava grávida, em meio de gestação. 
Faltavam dois meses para ela se proceder a fonte. 
O que fazia, nessa demora? 
Deitava-se de ventre para baixo e ficava ali, imóvel, quase se arriscando a coisa. 
Que fazia ela assim, barriga na barriga do mundo?
- “Ensino o futuro menino a ser da terra, estou-lhe a dar pés de longe”.
Ela queria a viagem para seu filho. O pai sorria, por desculpa aos deuses. 
E ficava a coar o tempo, fazendo promessas logo-logo arrependidas: 
“Amanhã ou quem sabe depois?” 
Desentretanto, nada acontecia. Aconteceu sim, foi numa noite farinhada de estrelas. 
O pai estava sentado sob a palmeira, a ver o mundo perder peso. 
Saboreava a carícia da preguiça dominical. 
Domingo não é um dia. É uma ausência de dia.
A mulher se chegou, em gesto fingido de segurar barriga. Sempre ela tivera os rins ruins.
Assim, de encontro ao poente, a mulher parecia dobra de cobra, flor à espera de vaso.
- “Mando, você conhece a maneira dos tucanos ninharem?
- “Conheço, com certeza.
- “Porque não fazemos igual como eles?”
O homem quase caiu das costas. Mas não reagiu, concordado com o silêncio. 
Não é só a barriga: cabeça dela também inchou, pensou. 
Mas segurou a palavra e com ela se acordou.
- “Começamos quando?”
Nessa noite, ele contou as estrelas. A angústia lhe enxotava o sono. 
Fazer como os tucanos? Somos aves, agora? 
Como recusar, porém, sem chamar desgraças? 
Assim, no dia seguinte, ele deu início à loucura. 
Começou a fechar a casa com paus, matopes, água e areias. 
A casa foi ficando com mais paredes que lados. 
Tapadas foram as portas, fechadas as janelas. 
Deixou só uma pequena abertura e voltou a juntar-se à esposa.
A mulher se sentou no banquinho de mafurreira 
e deixou que o homem lhe cortasse os cabelos e rapasse todos pêlos do corpo. 
Imitavam a tucana que se depena para construir o ninho.
Depois ela se despiu, libertou-se das vestes e atirou as roupas no obscuro da casa. 
E se despediram, fosse tudo aquilo nem vivido, simples fantasia. 
A mulher entrou na escura casa e ficou de costas. 
O marido maticou a abertura, enconchando a casa. 
Mas não tapou tudo: ficou um buraco onde mal metia o braço.
Fechada a obra, ele recuou uns breves passos para contemplar a casa.
Aquilo, agora, mais se parecia um imbondeiro.
A grávida estava aprisionada, na inteira dependência dele. 
Morresse o homem e ela definharia, desnutrida, desbebida. 
Os seus destinos se igualavam ao dos tucanos em momento de ninhação.
Nos tempos que seguiram, o homem cumpriu seu mandato: 
matutinava para trazer comeres e beberes. 
Duas vezes ao dia ele chegava e assobiava em jeito de pássaro. 
Ela acenava, apenas a mão dela se arriscava à luz.
- “Não tem medo que eu fique por lás, nunca mais voltado?
- “Você, marido, sempre há-de voltar. 
Você tem doença da água: mesmo da nuvem sempre regressa”.
E assim se sucederam meses. Até que, uma vez, ela lhe disse: “não venha mais!” 
Ele sabia que ela estava anunciar o parto.
- “Você quer que eu fique perto?
- “Não, espere longe”.
Ele longe não foi. Ficou atento, próximo, caso a necessidade. 
Esperou um dia, dois, muitos. Nada, nem um choro a confirmar o nascimento. 
Até que se determinou fazer valer sua dúvida. Chamou por ela, quase a medo. 
Tivessem morrido mãe e filho, ao desumbigarem-se. 
Já ele se decidia a arrombar o esconderijo 
quando de dentro do escuro se vislumbrou o aceno de um pano. A mulher estava viva. 
Logo, acorreu ele ansioso:
- “A criança?
- “A criança, o quê?”
Ele não soube juntar mais pergunta. Quem mais se engasga é quem não come. 
A mulher, simples, disse que o menino estava que até Deus se haveria de espantar. 
Que ela precisava ficar ainda uns tempos assim, no choco, 
na quenteação do ninho para dar despacho ao crescer da vida.
Nessa primeira semana, ele ficou no quintal, em estado de nervos. 
É que não escutava nem chorinho, assobio de fome do menino. 
E se passavam semanas, lentas e oleosas.
- “Lhe peço, mulher. Me deixe ao menos ver o menino nosso”.
Ela então fez sair as mãos em concha pelo pequeno buraco. 
Só se via o enxovalhado enxoval.
- “Segure aqui, mando. Cuidado”.
Ele, embevecido, aceitou o embrulho das roupas.
- “Posso espreitar, ao menos?
- “Não, ainda não se pode ver”.
E recolheu a dádiva, se deleitando com esse consolo. 
Ficou experimentando a ausência de peso daquele volume. 
Tão leve era o objecto que não havia força que o suportasse. 
O embrulho lhe tombou das mãos e se espalmilhou na areia. 
Foi quando, de dentro dos panos, se soltou um pássaro, muito verdadeiro. 
Levantou voo, desajeitoso, aos encontrões com nada.
O homem ficou a ver as asas se longeando, voadeiras. 
Depois, ergueu-se e se arremessou contra a parede da casa. 
Tombaram paus, desabaram matopes, despertaram poeiras. 
Agachada num canto estava a mulher, de ventre liso. 
Junto dela a capulana ainda guardava sangues. 
Areias revolvidas mostravam que ela já escavara o chão, encerrando a cerimónia. 
Ele se ajoelhou e acariciou a terra.

Mia Couto
Até prá semana...
Poet'anarquista

HISTÓRIAS DESTE DIA

Aconteceu a 27 de Maio...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

POESIA - ALEXANDER PUSHKIN

O escritor russo Alexander Sergueievitch Pushkin nasceu em Moscovo a 26 de Maio de 1799. Poeta e romancista da era romântica, foi considerado por muitos como expoente máximo da poesia russa e  principal fundador da literatura russa. Escreveu igualmente peças teatrais em estilo narrativo, misturando drama, romance e sátira, assim como ficção histórica que se pode apreciar no livro «Sua Maria: Uma História de Amor Russa», no qual descreve uma visão da Rússia no reinado de Catarina, a Grande. Pushkin faleceu em São Petersburgo, a 10 de Fevereiro de 1837.
Poet'anarquista
Alexander Pushkin
Poeta Russo
BIOGRAFIA

Com o Romantismo, a literatura russa alcançou um extraordinário desenvolvimento no século XIX, com escritores que exerceram profunda influência na literatura mundial (como Ivan Krilov, Vassili Andreievitch Jukovski, Mikhail Lermontov, Kondrati Rileiev, Nikolai Nekrassov, Fiodor Ivanovitch Tiutchev, Nikolai Nikolaievitch Iasikov, Ievgueni Abramovitch Baratinski e Karolina Karlovna Pavlova). 

Mas o grande poeta russo do século XIX e considerado o criador da literatura russa moderna é Aleksandr Púchkin. Púchkin aliava à poderosa força da sua imaginação poética uma inigualável perfeição formal. A sua obra é de inspiração romântica, mas a sua prosa de ficção inicia o realismo psicológico na literatura russa, com pinturas magistrais da vida russa da época e uma precisa caracterização dos personagens. Criou obras primas em todos os géneros. Entre os seus textos destaca se o poema narrativo Ievgueni Onegin (1823 1831; Eugênio Onegin) e a tragédia Boris Godunov (1831).

A Idade de Ouro da literatura russa surge assim com o poeta e prosista Aleksandr Sergeievitch Puchkin que encantou Dostoievski (que considerava Tatiana, heroína de Eugene Onegin, a personagem feminina mais realizada da literatura russa), Gogol (para quem A Filha do Capitão, também de sua autoria, era "decididamente a melhor obra russa do gênero narrativo") e o revolucionário comunista Lenin, que tinha nas "obras imortais e insuperáveis" do escritor a leitura nocturna preferida.

Segundo o tradutor Boris Schnaiderman, Púchkin seduz com frases directas e despojadas, difíceis de enquadrar num movimento literário os elementos românticos seriam acompanhados de outros, de ruptura. Ievgueni Onieguin, obra iniciada em 1823 e concluída em 1831, assim, combinaria episódios românticos com sorrisos demoníacos e o sarcasmo cruel se alternaria "com descrições idílicas da paisagem".

Carpeaux diz, por sua vez, que Púchkin é um criador clássico ("quem diz classissismo, diz realismo", defende), em que estão presentes personagens tipicamente russos, vivendo contradições que marcariam a vida do país no século 19, como a coexistência de grandes cidades europeizadas e de campos atrasados.

Púchkin teve uma vida conturbada. Publicou a sua primeira poesia aos 15 anos e morreu num duelo, quando tentava defender a sua honra de um galanteador francês que se envolvera, com Natalia, sua mulher. Aos 38 anos, desafiou esse jovem francês, Dantés, que a cortejava, e levou um tiro, às margens do Rio Neva, vindo a falecer dois dias depois.
Fonte: Luís Gaspar - Locutor de Publicidade


ELEGIA

Dos anos loucos a alegria extinta
Ressaca vaga, faz que eu mal me sinta.
Mas, como o vinho, é o remorso meu
Que mais forte ficou, se envelheceu.

É triste minha estrada. E me anuncia
O mar ruim do porvir dor e agonia.
Mas não desejo, amigos meus, morrer;
Quero ser para pensar e sofrer.

E sei que há gozos para mim guardados
Entre aflições, desgostos e cuidados:
Inda a concórdia poderei cantar,
Sobre prantos fingidos triunfar,

E talvez com sorrir de despedida
Brilhe o amor no sol-pôr de minha vida.

Alexander Pushkin


AOS MEUS AMIGOS

Os deuses ainda vos dão
Dias e noites de alegria,
E amáveis moças vos estão
A examinar com simpatia.

Folgai, cantai, ficai a fruir
A noite, amigos, passageira,
E a vosso prazer sem canseira
Hei-de, entre lágrimas, sorrir.

Alexander Pushkin

HISTÓRIAS DESTE DIA

Aconteceu a 26 de Maio...

RETROSPECTIVA - CONCERTO NO FÓRUM

Foi ontem pelas 21H30, no Fórum Cultural de Alandroal, o concerto da Orquestra Clássica da Universidade de Évora. Foram interpretados, entre outros, os temas «Bodas de Fígaro» do compositor Mozart e os quatro andamentos da 2ª sinfonia do compositor Beethoven. Com direcção do maestro Christopher Bochmann, que foi explicando ao auditório os estados de alma do compositor Beethoven em cada um dos andamentos da 2ª sinfonia, a Orquestra  Clássica da Universidade de Évora deliciou o público presente na sala com os seus acordes melodiosos e interpretação notável. No final Christopher Bochmann teceu alguns comentários, fazendo duas referências que anotei com muito agrado: a forte afluência de público muito atento presente no auditório do Fórum Cultural de Alandroal e o facto de, durante a actuação da Orquestra, não se ter ouvido um único telemóvel na sala. Numa breve troca de palavras findo o concerto, era bem notória a expressão de satisfação no rosto do maestro depois dos agradecimentos que lhe apresentei a título pessoal. Faço publicação de fotos do espectáculo de ontem à noite no Fórum, gentilmente enviadas pelo gabinete de imprensa da Câmara Municipal do Alandroal, a quem felicito pela organização deste evento, e de dois vídeos que rebusquei no youtube, precisamente as «Bodas de Fígaro» de Mozart e o 3º andamento da 2ª sinfonia de Beethoven. Pela primeira vez no Alandroal assistiu-se a um concerto de música clássica de grande nível!
Poet'anarquista
Concerto no Fórum Cultural de Alandroal
 Orquestra Clássica da Universidade de Évora

Concerto no Fórum Cultural de Alandroal
Orquestra Clássica da Universidade de Évora

Concerto no Fórum Cultural de Alandroal
Orquestra Clássica da Universidade de Évora

Concerto no Fórum Cultural de Alandroal
Orquestra Clássica da Universidade de Évora

Concerto no Fórum Cultural de Alandroal
Orquestra Clássica da Universidade de Évora

Concerto no Fórum Cultural de Alandroal
Orquestra Clássica da Universidade de Évora

«AS BODAS DE FÍGARO»

MOZART

«2ª SINFONIA - 3º ANDAMENTO»

BEETHOVEN

terça-feira, 24 de maio de 2011

REQUALIFICAÇÃO DO PATRIMÓNIO II

Só hoje tive acesso aos vídeos com as actuações de Mário Laginha, os Aduf e Maria Berasarte no interior do Castelo de Alandroal. Foi na verdade uma noite memorável em que tudo se conjugou, num espaço mágico com mais de 700 anos de história. À organização do evento, Câmara Municipal do Alandroal, aos músicos que com os seus acordes deliciaram uma plateia atenta e participativa, e a todos os presentes, dedico os vídeos que agora se publicam. Bem hajam!
Poet'anarquista

«REQUALIFICAÇÃO DO PATRIMÓNIO - CASTELO DE ALANDROAL»

CONCERTO - MÁRIO LAGINHA


«REQUALIFICAÇÃO DO PATRIMÓNIO - CASTELO DE ALANDROAL»

CONCERTO - ADUF


«REQUALIFICAÇÃO DO PATRIMÓNIO - CASTELO DE ALANDROAL»

CONCERTO - ADUF & MARIA BERASARTE

HISTÓRIAS DESTE DIA

Aconteceu a 24 de Maio...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

NOTÍCIAS - IV TÍTULO DA ÉPOCA

«Taça de Portugal 2010/ 2011»
FCPorto Campeão!!!!

TAÇA DE PORTUGAL » GUIMARAES 2-6 FC PORTO

«Eles levam tudo e não deixam nada»

CRÓNICA DE MANUEL CASACA
Esta época foi quase sempre assim: o futebol são onze contra onze e no final ganha o FC Porto. Ontem a história repetiu-se e os dragões colocaram um ponto final com a conquista da Taça de Portugal, numa época fantástica, para mais tarde recordar. Escrever neste espaço todos os recordes que os dragões foram conseguindo ao longo da época poderia ser fastidioso, impedindo, dessa forma, o relato dos acontecimentos de uma final espectacular, com uma primeira parte louca, com sete golos em 45 minutos. No segundo tempo, num ritmo mais baixo, James, sempre ele, fechou a conta, e dessa forma o resultado chegou aos oito golos. Melhor mesmo só a final de 1951/52, num jogo entre o Benfica e o Sporting que teve nove golos.

Moralizados com a conquista da Liga Europa e com poucas horas para descansar, com viagens e festa pelo meio, os dragões quiseram matar rapidamente o jogo, evitando sobressaltos que impedissem a vitória na Taça de Portugal. André Villas-Boas mexeu na equipa, deixando de fora três dos heróis de Dublin - Helton, Guarín e Falcão -, apostando em Beto, Belluschi e James. O jovem colombiano surgiu na esquerda, ficando Varela na direita e Hulk no centro. Alterações que surtiram efeito logo no primeiro minuto, quando o jovem internacional colombiano marcou, depois de uma jogada entre Hulk e Belluschi. Estavam decorridos dois minutos e alguns espectadores ainda nem tinham entrado no estádio.

O Guimarães começava a pagar cedo a aposta de Manuel Machado. O treinador do Guimarães quis surpreender ao deixar Jorge Ribeiro no banco, apostando em Rui Miguel, que voltava ao Estádio Nacional dois anos depois de lá ter estado na final da Taça de Portugal com a camisola do Paços de Ferreira, igualmente num jogo com o FC Porto. O ex-pacense jogou à frente de Renan e Cléber, dois médios estáticos e sem capacidade para travar os campeões nacionais. Valeu, nessa altura, a velocidade de Targino, o repentismo de Faouzi e a boa leitura de Edgar para se antecipar aos centrais portistas. A isto os vimaranenses acrescentavam o excelente pé esquerdo de Anderson nos lances de bola parada. Foi dessa forma que o Vitória empatou em duas ocasiões. Nessa altura os centrais do FC Porto sentiam algumas dificuldades, sobretudo nos cruzamentos para as costas. Belluschi também não apresentava um ritmo elevado, mas nem por isso a equipa de André Villas-Boas via ameaçada a vitória. Os portistas, aliás, responderam sempre bem e rapidamente aos golos do adversário. Nesses momentos apareceu o trio maravilha, com James, Hulk e Varela a trucidarem a defensiva vitoriana. Os golos foram acontecendo com uma naturalidade tal que, num estádio sem marcador electrónico, os espectadores devem ter questionado, muitas vezes, quanto estava o resultado. O intervalo chegava com o FC Porto a vencer por 5-2, quando até podia registar um 4-3, mas Beto defendeu um penálti a Edgar, desviando a bola para canto. Instantes depois, e em contra-ataque, James chegava aos 5-2 e acabava com as dúvidas.

Manuel Machado tentou corrigir os erros ao intervalo. João Alves entrou para o lugar de Renan, e mais tarde chegavam Jorge Ribeiro e Toscano. Era tarde. O treinador do Guimarães tinha dito que os seus jogadores não eram guerreiros de plástico nem um projecto de marketing, numa provocação dirigida ao Braga, mas tivessem os vitorianos a atitude e um plantel com a mesma qualidade do rival minhoto e não seriam vergados a uma goleada. Como o mal estava feito, e porque o FC Porto mostrou estar muitos furos acima, o Vitória não fez mais do que demonstrar maior tranquilidade no segundo tempo. Nessa altura, já com Guarín no lugar de Fernando, e, mais tarde, com Souza a entrar e a possibilitar ao colombiano subir no terreno, o FC Porto circulava a bola como tão bem sabe fazer. Sempre com a atitude própria de quem queria ampliar a vantagem. Foi assim que os portistas criaram algumas oportunidades para marcar, conseguindo o sexto golo pela grande figura da final, James, o miúdo que merece nota máxima, num jogo em que conseguiu o primeiro hat trick da carreira. Aos golos que marcou acrescentou a assistência para o golaço de Varela e participação na jogada do golo de Rolando. James decidiu o jogo, contribuindo para mais uma troféu do FC Porto, o quarto esta temporada. Ponto final numa época inesquecível!!!!
Fonte: O JOGO
«ÉPOCA 2010/ 2011 - ANO DO DRAGÃO»
Super Taça, Campeonato, Liga Europa, Taça de Portugal

HISTÓRIAS DESTE DIA

Aconteceu a 23 de Maio...

DISCURSO DO PRESIDENTE JOÃO GRILO NO CASTELO

João Grilo, presidente da Câmara Municipal de Alandroal, proferiu o seu discurso na «Apresentação da Requalificação do Interior do Castelo». Valorizando o património histórico desde as suas origens até aos nossos dias, João Grilo apontou vectores culturais de grande importância para um desenvolvimento harmonioso no nosso Concelho. Com uma visão realista sobre o que deve ser a cultura do séc. XXI, associada à riqueza patrimonial que nos rodeia, desenvolveu as suas ideias com muita inteligência e sensibilidade, anunciando à população as directrizes da edilidade nos eventos culturais a realizar, assim como a importância da recuperação e requalificação do património histórico. Muitos parabéns à autarquia pelo seu desempenho sério e honesto em prol do Concelho do Alandroal!
Poet'anarquista
«Requalificação do Património»
João Grilo Discursando no Castelo

DISCURSO DE JOÃO GRILO NO CASTELO - REQUALIFICAÇÃO DO PATRIMÓNIO

O espaço em que nos encontramos teve a sua primeira pedra lançada no dia 6 de Fevereiro de 1294 por ordem de D. Lourenço Afonso, Mestre da Ordem de Avis – no reinado de D. Dinis – e foi concluído em 24 de Fevereiro de 1298, ou seja 4 anos mais tarde.

Desde então, passaram mais de 700 anos. 700 anos da vida de um povo foram vividos a olhar para estas muralhas. 700 anos da vida de um povo foram vividos dentro destas muralhas. O espaço passou por muitas transformações, algumas ainda bem vivas na memória de muitos, outras que se foram perdendo no tempo.

Ao apresentarmos hoje um projecto de requalificação do espaço público e iluminação do castelo do Alandroal, estamos conscientes da responsabilidade que esta acção acarreta e do importante que é aproximar novamente este espaço da vida dos alandroalenses, dotando-o das infra-estruturas necessárias mas sem beliscar a sua essência.

Penso que o projecto do arquitecto Manuel Aires Mateus – que daqui a pouco nos fará uma breve apresentação do mesmo – capta na perfeição este espírito e é para nós um prazer enorme tê-lo a trabalhar connosco.

A riqueza do património material do concelho do Alandroal – com destaque para os “três castelos” – é tão evidente, quão evidente é o estado de degradação e abandono em que o mesmo se encontra. Não apontamos o dedo nem procuramos culpados. Estamos virados para o futuro e para o que podemos fazer daqui para a frente.

       Este executivo que tenho a honra de liderar decidiu definir como prioridade contrariar esta realidade por todos os meios ao nosso alcance. Para além do castelo do Alandroal, estamos apostados em reabilitar a Fortaleza de Juromenha, vamos intervir em breve na Capela da Boanova, estamos a estudar possibilidades para o Castelo de Terena, estamos a preparar a requalificação da emblemática Fonte Monumental, a “Fonte das Bicas”, estamos a rever a Carta Arqueológica do Concelho e temos projectos para S. Miguel da Mota e para o Endovélico.

         Não o fazemos por vaidade ou com o simples objectivo de embelezar monumentos para mostrar ao visitante. Preservar o património é, em simultâneo, dar-lhe novas funções e vivências para que este possa continuar a cumprir a sua missão, como o tem vindo a fazer ao longo dos séculos: ser espaço definidor de identidades, espaço de conhecimento, de partilha e de cultura.

Porque uma das nossas mais fortes apostas é na cultura. Não naquela visão redutora de cultura como “oferta cultural”. Não naquela visão redutora de cultura como uma forma de gastar o dinheiro dos impostos em actividades e eventos com fins recreativos. Mas sim numa visão de cultura como a expressão da memória de um povo, da sua história, do seu património, das suas raízes e do modo com estes se entrecruzam na sua vivência diária.

Uma visão de cultura como expressão da identidade de um povo e com justificado motivo de orgulho local. Uma visão de cultura como factor de diferenciação e motor de desenvolvimento. Porque é também de desenvolvimento sustentado que falamos. Apostar no património material e imaterial do concelho como um produto de elevada qualidade e dinamizar os espaços com vida cultural aumenta a atractividade e o número de visitantes, com reflexos directos no turismo e na economia local.

Por isso, não nos limitamos hoje a apresentar esta importante obra.É também nosso objectivo que este espaço venha a acolher, já no verão do próximo ano, um importante festival de música com características únicas no país e com o potencial de envolver toda a região.  Um festival que vá de encontro aos munícipes, entrando na vida do concelho com a naturalidade de algo que aqui tem origem e não como algo importado de fora. Um festival que aposta na complementaridade de dois géneros musicais fundamentais da identidade cultural do mundo ocidental: a música erudita e o jazz, mas onde projectos de cariz mais popular também terão o seu espaço. Um festival que nasce no castelo mas que se estende até ao céu estrelado de uma qualquer das aldeias do concelho. Um festival onde a ópera chega ao público com toda a magia do teatro musical mas com proximidade e envolvência. Um festival que vai muito além do momento em que está a acontecer e que ao longo do ano envolve os músicos da região em acções de formação e de divulgação contribuindo para o seu desenvolvimento musical, ao mesmo tempo que trás até ao concelho residências de artistas consagrados ou estágios de jovens músicos de todo o país. Um evento para o qual temos a sorte de contar com a direcção artística do maestro Pedro Moreira, que entre outros aspectos relevantes de um vasto currículo na música, desempenha actualmente o cargo de director da Escola Superior de Música de Lisboa (e que temos o prazer de ter aqui connosco hoje).

E agora a pergunta que todos se colocam: muito bem, mas onde está o dinheiro para fazer tudo isto? Bem, acreditamos que com os patrocínios certos e os financiamentos disponíveis este festival será uma realidade sem implicar um avultado investimento da autarquia. Trabalhar bem e com pouco dinheiro é o nosso dia-a-dia! Aliás, permitam-me que clarifique algo que também anda em muitas cabeças: sim, o espectáculo de hoje é totalmente financiado por fundos comunitários a que o município tem acesso para a dinamização dos castelos e apenas para esse fim!

Quero ainda salientar que não ficamos por aqui, no que à cultura diz respeito. Vamos arrancar já com uma “Agenda Cultural de Verão” que vai trazer animação ao coração da vila. Quero anunciar também aqui hoje, o regresso do Fórum Cultural à actividade regular já em Setembro próximo, mas em moldes muito diferentes dos anteriores. Em primeiro lugar, com uma aposta clara em actividades que envolvam as pessoas muito para além do papel de espectador passivo. Em segundo lugar com o reavivar de tradições adormecidas. E em terceiro lugar, com a aposta na qualidade e na excelência. Em Setembro vamos relançar a programação regular de cinema com um novo sistema digital 3D.

Por fim, permitam-me alguns agradecimentos: À Sra. Directora Regional de Cultura e a toda a sua equipa, aqui representada pelo Dr. António Carlos Silva. Sem a estreita colaboração que sempre nos proporcionaram neste e noutros projectos em que estamos envolvidos, a meu ver exemplar naquilo que deve ser o trabalho entre os serviços desconcentrados da administração central e as autarquias. Ao arquitecto Manuel Aires Mateus, por ter abraçado este projecto sem hesitar e pelo modo como se está a envolver com este Concelho. Ao maestro Pedro Moreira, pela total disponibilidade e grande entusiasmo para dirigir o festival que hoje apresentamos. Ao José Pedro Gil, por entre outras muitas qualidades, ter o dom de saber juntar as pessoas certas para que as coisas aconteçam e por fazer o favor de ser um grande amigo nosso. A toda a minha equipa política e técnica que acompanhou de forma inexcedível todo o processo que nos trouxe até aqui, hoje. Recordo que este é um projecto idealizado, projectado e candidatado na sua totalidade no decurso deste mandato! Ao Mário Laginha e aos Aduf que vamos ter o prazer de escutar daqui a pouco.

A todos os presentes, porque é desse lado que vem a força para continuarmos com determinação no rumo que definimos para o concelho.Quero lembrar-vos que todo este trabalho tem como objectivo final desenvolver o património mais importante de todos: as nossas gentes!

                                 «Fase de Conclusão do Castelo de Alandroal»
João Paulo Galhardas

«Primórdios do Castelo de Alandroal»
João Paulo Galhardas

«Origens do Concelho de Alandroal»
João Paulo Galhardas

PS- Peço desculpa pela má qualidade fotográfica do desenho «Fase de Conclusão do Castelo de Alandroal», mas de momento não tenho outra foto disponível.
Poet'anarquista

REFERÊNCIA A PÊRO RODRIGUES

Alandroal terra de castelos
Que a história não esqueceu...
A magia de locais tão belos,
Por um povo nobre se ergueu!

Ao canto oitavo referenciado
O preso amigo, preso por leal,
Nos Lusíadas imortalizado...
Pêro Rodrigues do Landroal!

Assim Camões te celebrizou
Capitão Mor de pouca gente...
A coragem por quanto ousou,
Nessa guerra tão diferente!

Para sempre terás teu nome
Escrito de forma original...
Alandroal, ainda quem chame,
Da história antiga Landroal!!!

Matias José

domingo, 22 de maio de 2011

GENTILEZA «A NOSSA CANDEIA»

A minha querida amiga Ana Paula Fitas, administradora do blogue «A Nossa Candeia», teve a gentileza de me facultar a publicação do seu texto sobre o evento inserido na apresentação da requalificação do interior do Castelo de Alandroal, com o título «Alandroal - Descentralização da Cultura». Em poucas linhas, Ana Paula escreveu com a inteligência e sensibilidade que lhe são características, não fosse ela uma alandroalense de gema, a grandiosidade do evento numa perspectiva cultural de descentralização, como vector importantíssimo no combate ao isolamento do interior alentejano. Associada à valorização do nosso património histórico, as sonoridades harmoniosas de Mário Laginha e Aduf entraram pela noite dentro, no cenário mágico do espaço interior das muralhas do Castelo de Alandroal. Obrigado Paula por partilhares esses momentos de rara beleza!
Poet'anarquista

«FADO»

MÁRIO LAGINHA


Por Ana Paula Fitas
... foi ontem, no âmbito da divulgação do projecto de requalificação urbana do Castelo de Alandroal, que, num cenário valorizador do património arquitectónico, assisti a um acontecimento cultural notável, testemunho inequívoco de que a qualidade cultural pode ocorrer no interior do país silenciado e invisível que somos... à excelência multidimensional do momento, Mário Laginha chamou "milagre"... Preencheram a noite, num espaço público confortável protegido da brisa pelas muralhas que aconchegavam o som e lhe conferiam uma acústica nítida e envolvente, o piano encantatório de Mário Laginha e os Aduf - dois expoentes de primeira qualidade da melhor música produzida, contemporaneamente, em Portugal. Está de parabéns o Alentejo profundo, a Câmara de Alandroal e uma população que encheu o espaço preparado para o efeito e se deixou envolver até ao limite, pela beleza e a contagiante bondade que irradiou, mágica, de um concerto inexcedível.
A título de ilustração, ficam aqui, partilhados, dois dos temas que lá se tocaram e encantaram: "A Quantas Ando" dos Aduf e "Fado" de Mário Laginha.
Fonte: a nossa candeia


«A QUANTAS ANDO»

ADUF
Moura encantada surgiu no Alandro...
Harmoniosa cantou «A Quantas Ando»!

POETA

ACONTECEU NA NOITE DE 20 DE MAIO DE 2011

Noite sensacional, com casa cheia, na apresentação da requalificação do interior do Castelo de Alandroal. No enquadramento de uma política séria e exigente que tem vindo a ser seguida pela autarquia, o presidente da Câmara João Grilo fez as apresentações da noite. Começou por um discurso sóbrio e de grande sensibilidade cultural (aqui será publicado quando me chegar via e-mail), passando de seguida à apresentação dos intervenientes. Referências ao projectista da requalificação do interior do Castelo, o arquitecto Manuel Aires Mateus, ao grande pianista Mário Laginha e ao projecto musical Aduf. Por último, João Grilo convidou todos os presentes a participarem no beberete convívio findo o espectáculo. Noite perfeita!
Poet'anarquista
«Castelo de Alandroal»
Muralhas - Interior


«ARTISTAS PELO SIM» 

MÁRIO LAGINHA

«À ESPERA DA LUA»

ADUF

«JOSÉ SALGUEIRO & CARLOS MIGUEL»

ADUF

HISTÓRIAS DESTE DIA

Aconteceu a 22 de Maio...

sábado, 21 de maio de 2011

HISTÓRIAS DESTE DIA

Aconteceu a 21 de Maio...

PINTURA - HENRI ROUSSEAU

O pintor francês Henri-Julien-Félix Rousseau, também conhecido  «Le Douanier» ou «O Aduaneiro» por ter trabalhado como inspector de alfândega, nasceu em Laval a 21 de Maio de 1844. Inserido no movimento moderno do pós-impressionismo, este autodidacta sem formação académica foi muito criticado pelos seus contemporâneos. Faleceu em Paris a 2 de Setembro de 1910.
Poet'anarquista
Henri Rousseau
Pintor Francês

«Eu Mesmo, Paisagem-Retrato»
Henri Rousseau

BREVE BIOGRAFIA

Este genial autodidacta, conhecido como "Le Douanier", foi o único pintor de estilo naif que conseguiu exercer influência sobre estilos posteriores, como o surrealismo e o simbolismo. 

A sua obra foi objecto, a princípio, de escárnio generalizado, devido ao estilo infantil e ingénuo. No entanto, Rousseau manteve presença constante no Salon des Indépendents, exposição fundada em 1884 e que não estava sujeita ao julgamento de um júri. 

Pintava de modo intuitivo, sem preocupações teóricas, movido apenas por um objetivo concreto: reproduzir na tela a realidade circundante com a maior fidelidade possível. Renunciou, contudo, à perspectiva linear da arte clássica, que não dominava completamente, e conferiu à realidade uma aparência onírica. 

Funcionário da alfândega em Paris, Rousseau aposentou-se aos 49 anos para poder consagrar a sua velhice à pintura. Pintou nessa fase, que se prolongou até o final do século XIX, obras como «Uma Tarde de Carnaval» (1886), «Eu Mesmo, Paisagem-Retrato» (1890) e «A Guerra», tema pouco comum na trajetória de «Le Douanier» e que despertou o interesse do público. Com suas pinturas inspiradas na selva, entre as quais «O Lobo Faminto» (1904), apresentada no Salão de Outono de Paris em 1905, alcançou o reconhecimento. Outras das suas obras principais são «A Cigana Adormecida» (1905), «A Encantadora de Serpentes» e «O Sonho» (1910).
Fonte: NetSaber
«O Sonho»
Henri Rousseau

«A Encantadora de Serpentes»
Henri Rousseau

«A Guerra»
Henri Rousseau

«A Cigana Adormecida»
Henri Rousseau

«O Sena e a Torre Eiffel»
Henri Rousseau

«Duaneira com Torre Eiffel de Fundo»
Henri Rousseau

«Uma Tarde de Carnaval»
Henri Rousseau

«Macaco na Selva»
Henri Rousseau


«PINTURA MODERNA DO PÓS-IMPRESSIONISMO»
HENRI ROUSSEAU

CONCERTO NO FÓRUM

 Orquesta Clássica da Universidade de Évora
 25 de Maio de 2011 no Fórum Cultural do Alandroal

Orquestra Clássica da Universidade de Évora no Alandroal dia 25 de Maio

O Alandroal vai receber, no próximo dia 25 de Maio, mais um momento cultural de elevada qualidade, com a actuação da Orquestra Clássica da Universidade de Évora, marcada para as 21:30 horas, no Fórum Cultural de Alandroal.  

Sob a direcção de Christopher Bochmann, a Orquestra Clássica da Universidade de Évora vai interpretar temas como “Bodas de Fígaro”, de Wolfgang Amadeus Mozart, ou a “Segunda Sinfonia”, da autoria de Ludwig Van Beethoven.  Venha ao fórum Cultural no próximo dia 25 e não perca a oportunidade de assistir, ao vivo, à actuação de uma das mais conceituadas Orquestras do panorama musical português da actualidade. 

Criada no ano de 1999, a Orquestra Clássica da Universidade de Évora teve a sua primeira actuação em Alter-do-Chão a 8 de Fevereiro de 2001. Mais que uma unidade cientifico-pedagógica, de apoio ao ensino que se ministra no departamento de Artes da Universidade de Évora, a Orquestra é também uma entidade prestadora de serviços à comunidade, através da oferta de um programa de actividades musicais a toda a região Alentejo.
Fonte: gabinete de imprensa C.M.Alandroal

Organização: Câmara Municipal do Alandroal
Vila d'Landroal