segunda-feira, 6 de agosto de 2018

OUTROS CONTOS

«Apátrida», conto poético por Manuel Matias.

«Apátrida»
Apátrida/ Amadeu de Sousa Cardoso

1167- «APÁTRIDA»

Minha pátria todo o mundo,
O mundo todo soa-me bem...
Passa a vida num segundo,
Eu não pertenço a ninguém!

I
Não sou de lugar algum
Criei em mim esta capa...
Não me revejo no mapa,
Eu sou de sítio nenhum.
Pode parecer incomum
Este ruído de fundo,
Não querer ser oriundo
Deste ou outro lugar...
Mas posso sem pejo afirmar,
Minha pátria todo o mundo!

II
Percorro uma imensidão
De sítios imaginários,
Em muitos desses berçários
Vou encontrando solidão.
Sossega o meu coração
Se um afecto lhe faz bem,
Creio mesmo ouvir alguém
Dizer que me quer sem medo …
Amar não tem segredo,
O mundo todo soa-me bem!

III
Parece ter sido agora
Que revivi o passado,
O tempo tinha parado
Não queria ir-se embora.
Eu feliz nessa hora
Com um amor profundo,
Recebo um não rotundo
De quem diz que amou...
Tarde demais reparou,
Passa a vida num segundo.

IV
Pensei eu pra me iludir
Que tinha um grande amor…
Pensar assim trouxe dor,
Agora sinto a vida a fugir.
O que me está a afligir
É o amor que já não vem,
Não saber se tenho quem
Se preocupe mais comigo…
Cria sempre estar contigo,
Eu não pertenço a ninguém.

Manuel Matias


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