sábado, 18 de setembro de 2010

BANDA DESENHADA E POESIA

Algures entre a Serra D'Ossa e o Alandroal... 

Vila Cheia (Norte)
João Paulo Galhardas

BURACO  DA  ALMA  

Lá  para  os  lados  de   “ Vila  Cheia “?!...
Num   lugar  de  encantar…
Uma   Alma  em  seu  Buraco
Não  se  cansa  de  esperar.
Sei  que  por  mim  anseia
Para   estar  perto,  a  seu  lado,
E   poder  enfim  libertar,
Este  ser,  seu  ser  amado!

Matias José (2007)

Vila Cheia (Sul)
João Paulo Galhardas

VILA  CHEIA  

Terra  de  horizontes  imaginários
Ali  nas  abas  da  serra  D’Ossa,
Onde  gente  simples  mas honrada,
Espera  um  novo  dia,  outra  alvorada!
Sorrindo  para  quem  passa
Por  caminhos  já  secundários,
Esse   povo  da  vila  “amada”
Tem  cheiro  a  terra  molhada!!
Vila  Cheia,  vila  nossa?!...
De  personagens  extraordinários,
Será  sempre  a  arte  imaginada
Desta  vossa  “Banda  Desenhada”!!!

Matias  José (2007)

À Porta do Monte
João Paulo Galhardas 

À  PORTA  DO  MONTE    

Era  o  cair  da  tarde  do  mês  de  Abril.
À   porta  do  monte  os  velhotes
Espreitavam  os  últimos  raios  de  sol
De  um  dia  como  outro  qualquer?...
Fazendo  prospecção  no  terreno,
Porque  as  pedras  dos  nossos  antepassados
Também  eram  a  sua  paixão  de  menino,
Descansou   por  alguns  minutos
E  recuou  a  épocas  muito  antigas?!
Estavam  riscados  os  primeiros  traços
Para  uma  nova  aventura  de  “Banda  Desenhada”!

Matias José (2007)

ABUSO DE PODER

Escravo Brasileiro
Debret

Abuso de poder 

É o acto ou efeito de impôr a vontade de um sobre a de outro, tendo por base o exercício do poder, sem considerar as leis vigentes (importa esclarecer que a noção de abuso de poder carece sempre de normas pré-estabelecidas para que seja possível a sua definição. Desta maneira é evidente que a palavra "abuso" já se encontra determinada por uma forma mais subtil de poder, o poder de definir a própria definição. Assim que o abuso só é possível quando as relações de poder assim o determinam). A democracia directa é um sistema que se opõe a este tipo de atitude. O abuso de poder pode dar-se em diversos níveis de poder, desde o doméstico entre os membros de uma mesma família, até aos níveis mais abrangentes. O poder exercido pode ser o económico, político ou qualquer outra forma a partir da qual um indivíduo ou colectividade têm influência directa sobre outros. O abuso caracteriza-se pelo uso ilegal ou coercivo deste poder para atingir um determinado fim. O expoente máximo do abuso do poder é a submissão de outrém às diversas formas de escravidão.

Trabalhadores em Campo de Concentração
Buchenwald, Alemanha, 1945

Poder 

A noção de poder envolve aspectos mais amplos e complexos do que o mero excercício de poder sobre outrém. O poder pode ser exercido desde as formas mais subtis até aos níveis mais explícitos e comumente identificáveis. Assim sendo, caracterizar o abuso de poder deixa de ser uma tarefa de simples identificação da acção do forte sobre o fraco, passando a considerar que o poder, em determinadas situações e circunstâncias, muda de mãos e ganha nuances implícitas, que dificultam a identificação do abuso do mesmo.

Uma pessoa em situação desvantajosa que saiba identificar em que aspectos tem poder, pode usar de artifícios abusivos para sair da posição desvantajosa. Isso pode ser fácilmente identificado em países democráticos, nos quais os direitos das minorias são salvaguardados e que indivíduos pertencentes a estas minorias aproveitam-se do argumento do politicamente correcto para neutralizar os seus adversários em questões jurídicas, por exemplo. Nestes casos, o direito adquirido legitimamente e ideológicamente correcto, aceite socialmente, passa a ser uma forma de poder nas mãos de quem o detém. Poder este que pode ser exercido da forma genuína ou da forma abusiva, dependendo do caso.

Algumas formas de abuso de poder

Económico: quando o indivíduo ou colectividade tira vantagem ilícita do dinheiro ou bens materiais em detrimento de outrém.
Político: o uso da autoridade legítima ou da influência para sobrepujar o mais fraco de modo ilegítimo.
No domínio da informação: recurso utilizado por quem detém o conhecimento ou a informação e os nega aos demais como forma de proteger-se ou de tirar vantagem.
Ideológico: quando se utiliza ilícitamente da ideologia socialmente aceite como forma de tirar vantagens ou de vencer opositores.
Apadrinhamento (nepotismo): uso de notoriedade, conhecimentos ou autoridade para favorecer outrém de forma ilícita.

Abuso de autoridade

Constitui-se abuso quando uma autoridade, no uso de suas funções, pratica qualquer atentado contra a liberdade de locomoção, a inviolabilidade do domicílio, o sigilo da correspondência, a liberdade de consciência e de crença, o livre exercício do culto religioso, a liberdade de associação, os direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto, o direito de reunião,a incolumidade física do indivíduo e, aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional. O abuso de autoridade levará o seu autor à sanção administrativa civil e penal, com base na lei. A sanção pode variar desde advertência até à exoneração das funções, conforme a gravidade do acto praticado. 
 
Abuso do Poder Económico
Gerador de Injustiça Social

Abuso de poder económico 

Constitui abuso do poder económico toda a forma de actividade na eliminação da concorrência, domínio dos mercados ou aumento arbitrário dos lucros.

A Constituição ao tratar dos princípios gerais da actividade económica assegura que "a lei reprimirá o abuso do poder económico que vise à dominação do mercado, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros". Esta lei tem como finalidade prevenir e reprimir as infracções contra a ordem económica, tomando como ponto de partida os princípios consagrados na Constituição, para garantir a livre concorrência, que tem como finalidade última a defesa dos interesses do consumidor. Esta lei, ao contrário do que se pensava, logo na sua instituição não surgiu com a finalidade de impedir o desemprego e não tem como finalidade proteger o emprego.

Assédio moral no trabalho

O assédio moral no ambiente de trabalho é a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício das suas funções. Este tipo de assédio é mais comum em relações hierárquicas autoritárias e desiguais, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e antiéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigidas a um ou mais subordinados, desestabilizando a vítima em relação ao ambiente de trabalho e à organização...

Coerção

A coerção é o acto de induzir, pressionar ou compelir alguém a fazer algo pela força, intimidação ou ameaça. Uma forma comumente usada para motivação de pessoas ou conjunto de pessoas é a coerção, já que evita a dor ou outras consequências negativas e tem um efeito imediato sobre as suas vítimas.

Quando tal coerção é permanente, é considerada escravidão. Embora a coerção seja considerada moralmente repreensível em muitas filosofias, ela é largamente praticada em prisioneiros ou na forma de convocação militar. Críticos do capitalismo moderno acusam que sem redes de proteção social, a "escravidão salarial" é inevitável. Coerções de sucesso são prioritárias sobre outros tipos de motivação.
 
 Placa numa Plataforma em Tóquio
 Só Mulheres para Evitar Assédio Sexual no Comboio

Assédio sexual

O assédio sexual é um tipo de coerção de carácter sexual praticada por uma pessoa em posição hierárquica superior em relação a um subordinado, normalmente em local de trabalho ou ambiente académico. O assédio sexual caracteriza-se por alguma ameaça, insinuação de ameaça ou hostilidade contra o subordinado, com fundamento em sexismo.

Exemplos clássicos são as condições impostas para uma promoção que envolvam favores sexuais, ou a ameaça de demissão caso o empregado recuse o flerte do superior.

O assédio sexual também pode ocorrer fora do ambiente de trabalho, em situações em que a vítima pode ser constrangida publicamente com gestos ou palavras, ou ainda impedida de reagir por se encontrar impossibilitada de deixar o local, como no caso dos transportes colectivos lotados. Outra forma de assédio sexual é o acto de seduzir ou induzir a vítima a prácticas sexuais não consensuais quando esta se encontra sob efeito de alguma substância que altere o seu auto-controle, como o álcool por exemplo. Quando o assédio chega às vias de facto, nestas circunstâncias, caracteriza-se o abuso sexual ou a violação.
Fonte: Wikipédia

terça-feira, 14 de setembro de 2010

AUTARQUIA OFERECE MANUAIS ESCOLARES

Presidente João Grilo e Alunos do 1º Ciclo
Oferta de Manuais Escolares

No passado dia 10 de Setembro de 2010, na abertura de um novo ano lectivo para as crianças do 1º Ciclo das escolas do Concelho, a Autarquia do Alandroal esteve presente para fazer entrega de manuais escolares e mochilas a todos os alunos.

Este é um investimento com olhos postos no futuro, sendo por isso motivo de orgulho para todos os pais que têm os seus filhos a estudar, e que apostam numa formação digna para os seus educandos.

A sustentabilidade económica e cultural passa por este tipo de medidas, são elas que asseguram um desenvolvimento equilibrado, onde todos possam usufruir das mesmas oportunidades de aprendizagem e formação.

Muitos parabéns à Autarquia do Concelho do Alandroal!
Poet'anarquista

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

LITERATURA

Cumpriria hoje, 13 de Setembro de 2010, 125 anos de idade o grande romancista português Aquilino Gomes Ribeiro. Poet'anarquista recorda-o com uma breve biografia, e um excerto de uma obra sua em que evoca a cidade de Lisboa.

                                                                        Aquilino Ribeiro
Romancista 

BIOGRAFIA
 
Aquilino Ribeiro nasce a 13 de Setembro de 1885 em Carregal de Tabosa, concelho de Sernancelhe. Aos dez anos, vai residir com os pais para Soutosa, onde faz a instrução primária. Transita depois para Lamego e Viseu, onde chega a frequentar o seminário, abandonando-o por falta de vocação. Em 1906 muda-se para Lisboa e, em pleno período de agitação republicana, começa a escrever os primeiros artigos em jornais. Em 1907, devido à explosão de uma bomba, é preso. Mas consegue evadir-se e, entre 1908 e 1914, divide a sua residência entre Paris e Berlim. Em 1914, com a eclosão da I Grande Guerra, volta a Portugal. Em 1918 publica o primeiro romance, "A Vida Sinuosa", que dedica à memória do seu pai, Joaquim Francisco Ribeiro. A convite de Raul Proença, entra em 1919 para a Biblioteca Nacional. A partir desse ano, escreve incessantemente: "Terras do Demo" (1919), "O Romance da Raposa" (1924), "Andam Faunos Pelos Bosques" (1926), "A Batalha Sem Fim" (1931) e muitos outros títulos. Envolvido em revoltas contra a ditadura militar, no Porto e em Viseu, exila-se por duas (1927 e 1928) vezes em Paris, onde casa pela segunda vez (a primeira mulher falecera). A partir de 1935 o seu labor literário torna-se mais fecundo: "Volfrâmio" (1944), "O Arcanjo Negro" (1947), "O Malhadinhas" (1949), "A Casa Grande de Romarigães" (1957), "Quando os Lobos Uivam" (1958), este último apreendido pela censura e pretexto para um processo em tribunal. Entretanto, viaja: Brasil, Londres, Paris. Em 1963, durante as comemorações do 50° aniversário do seu primeiro livro--promovidas pela Sociedade Portuguesa de Escritores, então presidida por Ferreira de Castro - adoece inesperadamente. Morre a 7 de Maio de 1963, no Hospital da CUF, com 78 anos.
Fonte: planetaclix 

Eis um excerto de uma obra sua que muito tem a ver com Lisboa.
 
«(…) Eu via com os olhos não pasmados, que nunca soube o que era pasmo, mas abertos à compreensão, as grandes e amarelas tartarugas dos carros eléctricos vir rolando dos lados do Terreiro do Paço, tilintantes e pletóricas de gente. Logo após vinha o carro do Chora, com o automedonte de longos bigodes retorcidos a reger de chicote vivaz o tiro de três machos pimpões, o condutor de boné de pala, e atropeladamente naquela arca de Noé de peixeiras, vendedeiras de hortaliça e de coelhos mansos, operários com suas ferramentas, em suma, segundo o termo das Ordenações Manuelinas, os misquinhos de uma capital. (…) Todavia não pressenti o sumptuoso, nem o deliquescente de uma urbe meridional, de que os poetas e romancistas faziam cavalo de batalha nas suas especulações cantarizadas. Antes havia nela, nos habitantes, no céu, nas coisas, uma sobriedade afável que era grata de sentir. E por isto tudo, por essa desilusão literária, e porque representava para mim um degrau montante na escala dos conhecimentos, fiquei a adorar Lisboa desde esse dia.

domingo, 12 de setembro de 2010

SÉRGIO VIEIRA DE MELO

Oito anos se passaram sobre a nomeação  de Sérgio Vieira de Melo, para o cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Morreu no ano seguinte, 2003, vítima de um atentado perpetrado pela Al Qaeda, em Bagdad. Poet'anarquista recorda aquele que foi um grande humanista, com especial talento para a negociação em defesa dos valores democráticos.
Poet'anarquista
  
Sérgio Vieira de Melo
Defensor dos Direitos Humanos  

BIOGRAFIA
Sérgio Vieira de Mello (Rio de Janeiro, 15 de março de 1948 - Bagdad, 19 de Agosto de 2003) foi um diplomata brasileiro, funcionário da Organização das Nações Unidas por 34 anos e Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos desde 2002. Morreu em Bagdad, juntamente com outras 21 pessoas, vítima de atentado atribuído à Al Qaeda contra a sede local da ONU.

Filho do embaixador Arnaldo Vieira de Mello, posteriormente aposentado compulsoriamente pelo regime militar de 1964, e de Gilda dos Santos, Sérgio Vieira de Mello acompanhou o seu pai em várias missões pelo mundo. Depois de cursar o colegial no Colégio Franco-Brasileiro do Rio de Janeiro, estudou na Universidade de Paris (Sorbonne) onde obteve a sua Licenciatura e o Mestrado para o Ensino em Filosofia, em 1969 e 1970, respectivamente. Durante os quatro anos que se seguiram, Vieira de Mello, prosseguiu os seus estudos de Filosofia na Universidade de Paris I , (Panthéon-Sorbonne), ao fim dos quais obteve um Doutoramento do Terceiro Ciclo e, em 1985 o Doutorado de Estado em Letras e Ciências Humanas, sustentando a tese Civitas Maxima.

Era funcionário da ONU desde 1969 - mesmo ano em que seu pai deixara a diplomacia. Passou a maior parte da sua vida trabalhando no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR, ou ACNUR, em português), servindo em missões humanitárias e de manutenção da paz: em Bangladesh, durante a sua independência, em 1971; no Sudão e em Chipre, após a invasão turca de 1974. Por três anos foi responsável pelas operações do UNHCR em Moçambique, durante a guerra civil que se seguiu à independência do país, em 1975, e depois, no Peru.

Em 1981 foi nomeado conselheiro político senior das forças da ONU no Líbano. Em 1982, ao lado das forças de paz, a invasão do país por Israel, em desacordo com resoluções da ONU, foi uma amarga decepção. Depois disso, desempenhou diversas funções importantes, no UNHCR, de 1983 a 1991. Foi chefe do Departamento Regional para Ásia e Oceania e diretor da Divisão de Relações Externas.

Entre 1991 e 1996, foi enviado especial do Alto Comissário ao Camboja, como diretor do repatriamento da Autoridade da ONU de Transição no Camboja (U.N. Transitional Authority in Cambodia, UNTAC), tendo sido o primeiro e único representante da ONU a manter conversações com o Khmer Vermelho. Foi Diretor da United Nations Protection Force (UNPROFOR), a primeira força de paz na Croácia e na Bósnia e Herzegovina, durante as guerras da Iugoslávia. Foi também Coordenador humanitário da ONU na região dos Grandes Lagos Africanos.

Em 1996 foi nomeado assistente do Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, antes de ser enviado para Nova Iorque, em janeiro de 1998, como Secretário-geral-adjunto para Assuntos Humanitários das Nações Unidas.

Para muitos, o diplomata brasileiro era a personificação do que a ONU poderia e deveria ser: com uma disposição fora do comum para ir ao campo de ação, corajoso, carismático, flexível, pragmático e muito eficiente na negociação com governos corruptos e ditadores sanguinários, em busca da paz.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmava que Vieira de Mello era "a pessoa certa para resolver qualquer problema". Foi o primeiro brasileiro a atingir o alto escalão da ONU. Como negociador da ONU actuou em alguns dos principais conflitos mundiais - Bangladesh, Camboja, Líbano, Bósnia e Herzegovina, Kosovo, Ruanda e Timor-Leste, entre 1999 e 2002, quando se mostraria inflexível nas denúncias dos crimes indonésios. E por fim, no Iraque, onde foi morto durante o ataque suicida ao Hotel Canal, com a explosão provocada por um camião-bomba. O Hotel Canal era usado como sede da ONU em Bagdad há mais de uma década.

Além dos 22 mortos, cerca de 150 pessoas ficaram feridas no ataque - o mais violento realizado contra uma missão civil da ONU até então. Atribuído pelos Estados Unidos à rede Al Qaeda, o ataque provocou a retirada dos funcionários estrangeiros da organização do território iraquiano.

Segundo o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, momentos depois da explosão, Vieira de Mello telefonou para a ONU do seu celular, falando sobre a situação. Ele permaneceu preso sob os escombros durante mais de três horas. Entretanto, segundo Samantha Power, que entrevistou mais de 400 pessoas (diversas das quais presentes no local da explosão) para escrever o livro "O homem que queria salvar o mundo", Vieira de Mello comunicou-se apenas com a equipa de resgate e com Carolina Larriera, sua companheira, através de um buraco nos escombros. Ainda segundo Samantha Power, os contactos telefónicos com a sede da ONU em Nova Iorque partiram de Ramiro Lopes da Silva, vice de Vieira de Mello e funcionário responsável pela segurança. O chefe da administração civil dos EUA no Iraque, Paul Bremer, disse que possivelmente Vieira de Mello teria sido o alvo do atentado. "Tudo aconteceu debaixo da janela de Sérgio Vieira de Mello. Eu acho que ele era o alvo", disse Lone à rede BBC.

Vieira de Mello era considerado por muitos como o virtual sucessor de Kofi Annan na Secretaria-Geral das Nações Unidas. Apesar de frequentemente confrontar-se com a impotência da ONU diante de tragédias humanas, a sua biografia prova que ainda existe algo a ser defendido na organização.

Desempenhou temporariamente as funções de representante especial do Secretário Geral Kofi Annan no Kosovo, onde foi substituído por Bernard Kouchner. De novembro de 1999 a maio de 2002, exerceu o cargo de administrador de transição da ONU em Timor-Leste. Em 12 de setembro de 2002, foi nomeado Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Em maio de 2003 fora indicado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, como seu representante especial, durante quatro meses no Iraque.

Sérgio Vieira de Mello foi enterrado no cemitério de Plainpalais (Cimetière des Rois), em Genebra. Alguns meses após o atentado, a ONU realizou uma homenagem póstuma, entregando o Prêmio de Direitos Humanos das Nações Unidas àquele que foi um dos mais importantes diplomatas do Brasil e da entidade.

Com a sua esposa francesa, Annie, de quem estava separado, Mello teve dois filhos: Laurent e Adrien, ambos actuando na área científica.

LEGADO
Vieira de Mello obteve êxito e visibilidade no cenário internacional pela sua atividade profissional. Até à sua trágica morte, apoiou a reconstrução de comunidades afectadas por guerras e violências extremas. O seu modelo de actuação, pela firme defesa dos princípios da independência e da imparcialidade, foi o Diplomata Sueco Dag Hammarskjöld (1905-1961), ex-Secretário Geral das Nações Unidas, morto a serviço da ONU em missão de paz no Congo (1961), e Prémio Nobel da Paz (1961). O carácter humanista da formação de Mello, associado ao seu talento para a negociação e a defesa da democracia, mesmo em situações adversas, foram factores-chave do sucesso de muitas das suas iniciativas. O seu exemplar desempenho em defesa dos direitos e dos valores humanos inspira a perpetuação da sua memória e o permanente debate do seu pensamento.
Fonte: Wikipédia

QUADRA versus CARTOON

A EDUCAÇÃO DE CAVACO

Devias ser bem mais educado
Fica bem a qualquer presidente…
Virar costas, de traseiro alçado,
Digam lá se não é impertinente?!

Em vez de "A EDUCAÇÃO DE CAVACO" diria, "A IMPERTINÊNCIA DE CAVACO".

POETA

A Educação de Cavaco
HenriCartoon 
 

CARTOON versus Quadras

Pais proíbem petizes de terem Educação Sexual
HenriCartoon

PAIS PROÍBEM PETIZES DE TEREM EDUCAÇÃO SEXUAL

Proibímos assim a participação
Do nosso filho muito amado,
Nas aulas sexuais d'educação…
Tem tempo de ser assexuado! 

Nesse antro pecaminoso? Nada!...
Onde expõem esse nojento pecado,
Da carne e inocência recatada…
Pra um petiz tão bem educado!

No berço protegido das imundas,
Como imorais tentações do demo…
Tais  ideias só podem ser oriundas
De alguém depravado e blasfemo!

O que achas meu querido esposo?
Soberbo!… Tira-me as algemas…
Assino por baixo com o coiso,
Mas exigo mais coisas blasfemas!

POETA

sábado, 11 de setembro de 2010

COISAS QUE ACONTECEM

O Abuso de Poder 
  A EXCEPÇÃO E A REGRA
 
Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso.
Mas não se esqueçam
de que o abuso é sempre a regra.
Bertold Brecht

DESABAFO CONTIDO 

Hoje, sinceramente, estou num daqueles dias em que o melhor era nem ter despertado, ninguém dava pela minha falta, nem sequer eu próprio. Estou assim nesta inquietude, esperando que os próximos quatro meses passem o mais rápido possível, e eu possa finalmente respirar de novo.
Resolvi escrever para o blogue este desabafo contido, para me proteger dos espíritos maus. Este amigo, embora não me responda, é de todo fiável. Quem entrar no blogue saberá apenas uma pequena parte, nada mais.
Faz tempo que as coisas não andam bem. Começou há cerca de um ano atrás, e como não podia deixar de ser, com reflexos negativos nas relações familiares e de amigos. Fico muitas vezes sem paciência para aqueles que mais gosto e que habitualmente me dão alguma da sua atenção. Comecei também a ter dificuldade de concentração, e por conseguinte, a poesia que me serve de alimento e companhia, não flui. 
Para esquecer um pouco toda esta situação, saio à rua para ir ao café e encontrar os amigos. Puro engano, os amigos estão lá, mas eu não. De seguida volto para casa. E assim se têm passado um pouco os últimos dias, neste vai-vém entre me encontrar fugindo, e fugindo de me encontrar.
Tudo isto é passageiro, como passageira é a existência de uma vida. Deus levou João Paulo apenas com trinta anos de idade e eu já tenho cinquenta. Sou um felizardo, já vivi mais vinte anos, no entanto tudo parece tão recente.
Olho em redor, uma casa vazia e em silêncio. No quintal, refugiados da esturrina do sol, os cães permanecem no telheiro dos fundos, esperando que a noite traga temperaturas mais agradáveis. Dentro de casa o mesmo silêncio, só interrompido pelo bater das teclas do computador. 
Dou por mim escrevendo uma prosa desalinhada e sem sentido, quem ler pensará que tudo não passa de uma mistura de palavras, para esconder o que realmente vai na alma.
Poet'anarquista

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ACONTECEU EM POESIA

Foi num dia de Novembro que a alma decidida resolveu viajar no tempo. Catorze anos era tempo demais, e o tempo não se compadece com as coisas da alma. Felizmente que tudo acabou em bem! 

Bomer Amigo
João Paulo Galhardas

Novembro, Dia Da Graça Do Ano 2007 
Libertando a Emoção

Vou  apressado  sem  paz  ou  sossego
Nessa  estrada  de  árvores  ladeada,
Procurando  vencer  este  medo...
Que  sei,  não  me  leva  a  nada!

Chego  ao  solar  antigo
Invadindo  propriedade  alheia…
Não  está  ninguém  comigo,
Só  o  espaço  que  me  rodeia.

Toco  o  sino  em  alvoroço
Num  gesto  de  agitação…
Preciso  encontrar  esse  poço
E  libertar  minha  emoção!

Matias José

Os  Cães

Dois  cães  com  um  olhar  estranho
Quando  rodo  para  nascente,
Olhando  para  mim  fixamente...
Estão   ali,  não  é  um  sonho!

Deito  joelhos  em  terra
Num  gesto  de  submissão,
Rebolam-se  perto  no  chão...
Estão  ali  à  minha  espera.

Vejo  o  muro  circular
Mesmo  ali  na  minha  frente!...
Ergo  o  corpo  com  a  mente,
Dirijo-me  para  esse  lugar.

Matias José
 
Para  lá  do  Muro

Trepo  o  muro  com  ansiedade,
Logo  em  frente  o  poço  maldito!
Meu  corpo  fraqueja  aflito…
Cai  em  mim  eterna  saudade!

Choro!  Convulsivamente  choro…
Grito  aos  céus  os  meus  tormentos,
Os  cães  uivam  em  seus  lamentos...
Chamo  por  ti,  por  ti  imploro!

Catorze  anos  é  muito  tempo
Para  fazer  o   luto  final?...
Deito  terra  no  firmamento,
Morre  comigo  esse  mal!?

Matias José

O  Regresso

Sento-me  no  carro  e  suspiro!...
Com  os  cães  a  meu  lado,
Recebem  de  mim  um  afago...
Vou-me  embora  deste  retiro!
  
Na  estrada  de  regresso
De  árvores  belas  ladeada,
A  alma  flui  assim  do  nada
No  caminho  do  sucesso!

Parto  em  direcção  à  cidade
Onde  o  meu  filho  me  aguarda.
Outro  dia,  nova  alvorada…
Para  sempre  a  eterna  saudade!!!

Matias José

MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS

Cumpre-se hoje, dia 09.09.2010, 37 anos da criação do Movimento das Forças Armadas (MFA). Foi no dia 09.09.1973 que o Movimento foi criado, tendo como objectivo principal na sua luta o fim do Regime e da Guerra Colonial.

MFA Rumo à Liberdade, Viva o 25 de Abril
Pintura Mural

09/09/1973

O MFA ou “Movimento das Forças Armadas” foi responsável pelo golpe militar que terminou com o Estado Novo em Portugal, em 25 de Abril de 1974. A principal motivação deste grupo de militares era a oposição ao regime e o descontentamento pela política seguida pelo governo em relação à Guerra Colonial.

As tropas foram comandadas no terreno por diversos capitães, de entre os quais o que mais se destacou e mais é recordado e associado à revolução foi Salgueiro Maia, que comandou tropas vindas da Escola Prática de Cavalaria de Santarém. No quartel da Pontinha, as operações eram dirigidas pelo brigadeiro graduado Otelo Saraiva de Carvalho (na Sequência da Revolução este seria graduado General, tendo sido desgraduado e retomado a categoria de Major a seguir ao Golpe de 25 de Novembro, que acabou com o período de governos provisórios).
Fonte: Wikipédia

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

CARTOON versus QUADRA

O Homem Bomba
HenriCartoon

O HOMEM BOMBA

Homem bomba ameaças
Explodir malta conceituada...
Para te livrares das crianças,
Jogas a tua última cartada!

A ser verdade ainda é mais hediondo do que imaginei!!!

POETA

terça-feira, 7 de setembro de 2010

POETA CAMILO PESSANHA

Camilo Pessanha
Poeta do Simbolismo

Camilo Pessanha (1867-1926) nasceu a 7 de Setembro de 1867 em Coimbra, tendo tirado o curso de Direito nessa cidade. Em 1894, transferiu-se para Macau, onde, durante três anos, foi professor secundário de Filosofia, deixando de leccionar por ter sido nomeado em 1900 conservador do registro predial em Macau e depois juiz de comarca. Levou uma vida de solitário excêntrico.

Doente dos nervos, com antecedentes familiares patológicos, voltou a Portugal algumas vezes em busca de cura, mas, desiludido, voltou definitivamente para Macau em 1915. Os seus poemas, escritos em folhas soltas e oferecidos a pessoas amigas, dispersaram-se ou chegavam mesmo a perder-se, sem que o autor se desse ao cuidado de guardar cópias, sendo no entanto capaz de reproduzi-los de memória quando desejasse. Assim, graças a João de Castro Osório, a quem ditara as suas produções, foi impresso o volume Clepsidra (1920), com alguns poemas já publicados em revistas mas na maioria ainda inéditos. Depois da segunda edição de sua obra (1945), outros inéditos surgiram.

Influenciado a princípio por Cesário Verde e Pierre Balayet, tornou-se o mais puro dos simbolistas portugueses. O contacto com a cultura chinesa levou-o a escrever vários estudos e a fazer traduções de vários poetas chineses. Foram, todavia, os seus poemas simbolistas que largamente influenciaram a geração de Orpheu, desde Mário de Sá-Carneiro até Fernando Pessoa. Camilo Pessanha morreu a 1 de Março de 1926 em Macau vítima do ópio.
 
Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

POESIA

Caminho I

Tenho sonhos cruéis; nalma doente 
Sinto um vago receio prematuro. 
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta dharmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu dagora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

CAMILO PESSANHA

Caminho II

Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.  
Bom dia, companheiro ... te saudei, 
Que a jornada é maior indo sozinho.

É longe, é muito longe, há muito espinho!
Paraste a repousar, eu descansei...
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.

É no monte escabroso, solitário.
Corta os pés como a rocha dum calvário,
E queima como a areia!... Foi no entanto

Que chorámos a dor de cada um...
E o vinho em que choraste era comum:
Tivemos que beber do mesmo pranto.

CAMILO PESSANHA

Caminho III

Fez-nos bem, muito bem, esta demora:
Enrijou a coragem fatigada...
Eis os nossos bordões da caminhada,
Vai já rompendo o sol: vamos embora.

Este vinho, mais virgem do que a aurora,
Tão virgem não o temos na jornada...
Enchamos as cabaças: pela estrada,
Daqui inda este néctar avigora!...

Cada um por seu lado!... Eu vou sozinho,
Eu quero arrostar só todo o caminho,
Eu posso resistir à grande calma!...

Deixai-me chorar mais e beber mais,
perseguir doidamente os meus ideais,
E ter fé e sonhar... encher a alma.
 

CAMILO PESSANHA
 

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

QUADRAS versus CARTOON

Nova Moda 

Isabel Alçada
Diz-me José,  que faço eu agora
Com quarenta mil desempregados?

José Sócrates
Sei lá pá!... desculpa-te na hora,
Diz-lhes que estão bem tramados!

José Sócrates
Olha!…  Uma ideia ao ouvido:
Despacha-os via sms…
De um número desconhecido
Que assim ninguém te conhece!!

Isabel Alçada
Oh José!... És a minha candeia,
Que seria de mim na Educação?!...
Só tu com semelhante ideia
Pra acabares com a colocação!!!

POETA

NOVA MODA 
HenriCartoon