sexta-feira, 22 de agosto de 2014

OUTROS CONTOS

«O Azar», conto poético por Matias José.

«O Azar»
Horta da Vinha

244- «O AZAR»

O azar bateu à porta
Entrou sem pedir licença,
Arrasou a nossa horta
Com grande indiferença.

De olhar amargurado
Só me apetecia chorar...
Todo o espaço violado,
 Não queria acreditar!

Mas tudo tem solução
(Menos a morte, é sabido)
Quando há força de união!

O hortejo foi destruído...
Resta por fim a consolação,
Que nem tudo está perdido!

Matias José

4 comentários:

Anónimo disse...


Depreendo que o seu hortejo foi
atacado por malfeitores, vândalos e "amigos do alheio"...


O nosso Alandroal era uma Vila pacata, sossegada, onde imperavam os bons costumes, mas pelo que me tenho vindo a aperceber, também por aí já se acoitam delinquentes, que não têm qualquer pudor nem
escrúpulos em destruir e se apoderar do que não lhes pertence.

Não desanime Kabé, mãos é obra e força para continuar com o seu hortejo, que tanto prazer lhe dá.

Um abraço para Si e Toda a Famíla!

Uma Alandroalense (L...)

Camões disse...

Não, conterrânea... foram as vacas que comeram e arrasaram quase tudo. Já está projectado uma cerca em arame, além da que temos electrificada. Mas elas entraram foi pela cancela, junto ao tanque onde se habituaram a ir beber. O que deve ter despoletado a invasão foram uns juncos do lado de dentro que estão encostados à cancela. Agora é refazer o hortejo, junto ao poço a coisa escapou. Um abraço e obrigado pela sua solidariedade!

Anónimo disse...


Agora para desanuviar e em puro Alentejano:

As "maganas" não resistiram ao pitéu!...

Espero que não leve a mal, apenas
pretendo adocicar o acontecido.

Tudo de Bom para Vós!

Uma Alandroalense (L...)

Camões disse...

Levo agora a mal!

O verde foi mais forte, é só a gente colocar-se no lugar das «maganas».

Já agora, ontem ajudei uma delas num parto complicado, eu mais o amigo que é dono da vacada. Ele é que percebe do riscado, mas eu lá ajudei como pude às suas ordens. A coisa prolongou-se por toda a manhã; o animal não conseguia parir porque a cria estava ao contrário, e ainda por cima uma das patas traseiras virada para a frente. Lá se ajudou o animal, e a muito custo foi retirada a cria. Vinha morta, era um macho bonito e bem desenvolvido. Acabou por não resistir e sufocar dentro da mãe.

O azar e a sorte andam muitas vezes de mãos dadas: «do mal ao menos, a mãe encontra-se bem!».

Conterrânea, quando estava a fazer marcha-a-trás com a carrinha para ajudar a retirar a cria, pensei e disse para comigo: «anda, minha magana!... ainda há dias me comeste o hortejo, e eu estou aqui a ajudar-te!».

Foi pena a cria vir morta... seria um dia perfeito!

Cumprimentos para todos, e mais uma vez obrigado pela solidariedade da amiga e conterrânea (L...).

Igualmente, tudo do melhor para vocês!

Cabé