domingo, 19 de junho de 2016

OUTROS CONTOS

«A Mosca», conto poético por Matias José.

«A Mosca»
Mote de António Aleixo

MOTE

Uma mosca sem valor
Pousa co'a mesma alegria
Na careca de um doutor
Como em qualquer porcaria.

António Aleixo

815- «A MOSCA»

Por todos conhecida
Esta espécie voadora…
É deveras maçadora,
Não passa despercebida.
Torna-se aborrecida
Quando chega o calor,
Poisa sem pudor
Onde quer que seja…
Nenhum de nós deseja
Uma mosca sem valor.

Tudo serve pra poisar
Não mostra ser esquisita...
Poisa dentro da sanita,
Na merda que foste cagar.
Parece não se cansar
De voar o santo dia,
A qualquer um arrelia
Esse esvoaçar constante…
Seja ou não importante,
Pousa co'a mesma alegria!

Incomoda muita gente
Sem escolher condição…
A todos traz comichão,
Rico ou pobre, indiferente.
Poisa na pessoa doente
Como se fosse um tumor,
Com o mesmo fervor
Em quem goza de saúde…
Poisa também amiúde
Na careca de um doutor.

A mosca pegadiça
Mostra ter boa aderência…
Faz perder a paciência,
Deixa a gente irritadiça!
Teima em ser metediça
Poisando onde não devia,
Lugar que ninguém previa
Resolve então aparecer…
Até dentro do comer,
Como em qualquer porcaria!

Matias José

1 comentário:

Anónimo disse...


O que mais me atrai no Poeta António Aleixo é o seu senso de justiça e a profundidade de todas as Quadras.

Toda a sua Poesia é de uma enorme Sensibilidade!

Embora Pobre, de fracos recursos, ERA UM ESBANJADOR DE TALENTO !

Segundo li, ele praticamente não comunicava em Prosa.


MAIS UMA VEZ, MATIAS JOSÉ, INSPIRADO NOUTRA BELÍSSIMA QUADRA DO SEU HOMÓLOGO
ANTÓNIO ALEIXO, NOS BRINDA COM ESTAS MAGNÍFICAS DÉCIMAS !!!
OBRIGADA !

Ofereceu um Rico Prato,
uma Excelente Iguaria;
Reconfortou-nos o Palato,
Enriquecendo a Poesia!



PRÁ MOSCA:

Dependendo do senhor
e da cabeça do doutor...
se ela for mui aplicada
pode até ficar doctorada.


Uma Alandroalense (Liva)