sábado, 5 de julho de 2014

OUTROS CONTOS

«Peças Soltas no Interior da Circunferência», por Eveline Sambraz.

«Peças Soltas 
no Interior da Circunferência»
Descrição da Extremadura em Espanha

196- «PEÇAS SOLTAS NO INTERIOR DA CIRCUNFERÊNCIA»

Nota da narradora : (O texto que se segue não é retirado de conversas ouvidas durante esta viagem pela Extremadura. É da minha lavra. E diz respeito aos meus pais. Sobretudo, diz respeito a minha mãe. Já aqui falámos dela, mas apenas de passagem. Agora, quero apresentá-la convenientemente.

Chegou à família Rodriguez Potra por via do casamento com o meu pai. Era descendente dos Sambraz, família muito religiosa, com vários sacerdotes e bispos entre os seus antepassados. Vinda da Extremadura espanhola, esta família, chegou a Portugal no rescaldo da segunda guerra carlista, por volta de 1.880.

Última Guerra Carlista
Registo Fotográfico

Família de grandes agrários, possuía propriedades tanto na Extremadura como no Alentejo.

Embora o meu avô tivesse ido casar a Espanha, a verdade é que em 1.936 já se considerava cidadão português, não só por ter nascido em Portugal, mas também por ter aqui toda a sua vida organizada. A estes dois motivos acrescia o facto de, pouco a pouco, ter vendido a maior parte das propriedades que possuía na Extremadura, restando, por essa época, apenas uma finca na região de Villanueva del Fresno. É precisamente de um episódio que se passou nessa finca que vos quero falar, antes de passar a contar a história de amor dos meus pais.

«Jaqueta Larga»
Lee Van Cleef

Aconteceu por volta de 1.942, quando os meus pais já eram casados e o falecimento recente do avô Miguel da Mota, obrigou a minha mãe a deslocar-se a Villanueva a fim de tratar de assuntos legais. A finca, nos últimos anos, tinha estado à guarda de um caseiro em que a família depositava toda a confiança. Qual não foi o espanto de minha mãe, na altura com vinte e três anos, quando se deparou com a casa a servir de abrigo a cinco ou seis guerrilheiros que vinham corridos das serranias de la Serena. Aguardavam ali a oportunidade de passar para Portugal, passagem essa que já estaria aprazada para dali a uns dias, com a cumplicidade de companheiros portugueses. Efectivamente, uns dias depois desapareceram, não sem que antes, aquele que parecia ser o chefe, e que dava pelo nome de Jaqueta Larga, se ter dirigido a minha mãe com um enorme ramo de flores silvestres, dizendo: “ Para la mas guapa e gallarda señorita extremeña “.

«La Gallarda»
Francisca Galhardas

Quando minha mãe regressou ao monte das Courelas e relatou este episódio ao marido e aos cunhados, ficou a ser conhecida, no meio familiar, por  “la Gallarda“. E assim ficou, la Gallarda, até à sua morte.)

Eveline Sambraz 

1 comentário:

Anónimo disse...


Mais um "Naipe" de Postagens de Excelente Qualidade !!!

Obrigada por nos mostrar uma LINDA Fotografia da SUA MÃE, (D. CHIQUINHA GALHARDAS) UMA SENHORA MUITO BONITA POR DENTRO E POR FORA !!!

Uma Alandroalense (L...)